Muito se
tem dito acerca de alternativas ao aumento de impostos. Muitos defendem as
reformas estruturantes, mais sustentáveis no longo-prazo, outros pensam que só
com mais impostos vamos lá, outros ainda querem cavar ainda mais o buraco com
mais investimento do Estado.
Neste
exercício de contas de merceeiro e altamente falível vou tentar explicar porque
é que hoje faz sentido tornar a prostituição uma atividade legítima, bem como a
produção e venda de drogas.
Deixo desde já a nota que em momento algum assumo os valores que fui
encontrando como reais ou próximos de realistas. Infelizmente foram os únicos
que consegui encontrar!
Prostituição:
Como
todos sabemos, hoje a prostituição não é
ilegal nem regulada em Portugal. Para o Estado a prostituição não existe
enquanto atividade económica, considerando-se apenas ilegal a terceiros lucrar
com a atividade.
Assim
sendo(1), 28 mil prostitutas fazem 3 serviços por cada um dos 231
dias de trabalho, os quais têm um preço médio de 112 euros. Por ano é um volume
de negócios de 5,4 mil milhões de euros (de acordo com uma pesquisa rápida que
fiz pela internet).
Com
estes pressupostos a receita fiscal andaria nos 1,25 milhões de euros (taxa 23%).
Se assumirmos uma eficiência fiscal de 70% podemos falar de 870 milhões. Não é
uma fortuna mas já são 2,4% das receitas correntes previstas para 2013, ou 7%
da receita de IRS.
Para
além desta receita haveria algum ganho de eficiência ao nível da qualidade de
vida das 28 mil mulheres (não achei o número de prostitutos) bem como ganhos
para a saúde pública (ganhando informação mais fiável acerca desta atividade.
Drogas
Em
relação às drogas não tive grande capacidade de fazer as contas.
Para
além da receita fiscal que decorreria da regulamentação desta atividade, haveria
também alguma poupança no nosso sistema prisional, segurança pública e controlo
de fronteiras (nos
EUA gastam-se US$40 mil milhões/ano). Se feito num formato mais alargado
(Europeu ou Mundial) poderia mesmo acabar com o financiamento a carteis
criminosos e fundamentalistas islâmicos.
Claro
que podemos brincar com o números para obter qualquer resultado desejado e
nesta análise os valores valem o que valem, apesar de ter sido um exercício
divertido – especialmente pelos sites que me apareciam no Google Search! J
A questão é mais básica:
Não há razão nenhuma para estas duas atividades não serem legais, regulada e
taxadas. O facto é que nenhum país no mundo conseguiu acabar com a prostituição
ou consumo de drogas e que a sociedade até aceita a sua existência em alguma
medida. É uma luta desigual de milhões contra uma entidade difusa e que apenas
mostra, diariamente, a incapacidade do Estado em fazer cumprir a lei.
Especialmente em tempos de
crise o Estado tem de ser inteligente e não se debater demasiado com questões
paternalistas. Quem é o Estado para me dizer como ei-de usar o meu corpo, ou
como o posso estragar! Também deve ser inteligente para perceber que controlos
valem a pena e que custos se podem reduzir drasticamente simplesmente trazendo
atividade obscura para a economia visível.
Notas:
(1) De acordo com algumas notícias que descobri que há 28
mil prostitutas a operar em Portugal (mais 5 menos 5 mil), 50% das quais
Portuguesas. O número exato não interessa salvo se fugir muito a esta ordem de
valores. Como várias fontes referiam valores nesta ordem de grandeza, vou
assumir as 28 mil.
Também descobri um site
que refere um preço médio de uma hora. O valor de referência é para Lisboa (280 euros).
Vamos assumir que normalmente não querem uma hora e que existem outros serviços
mais baratos (lembro-me de ter lido num do livros do Freakonomics e
Superfreakonomics qualquer coisa como US$40 o serviço mais barato). Para
efeitos de simplificação vamos dizer que o preço médio por cliente por ato
rondará os 40% da dita hora (esta percentagem assume 1:2, hora:mais barato), ou
112 euros.
Vamos também partir do
pressuposto que tiram um mês de férias e que trabalham 5 dias por semana.
Lembro-me também de ler
algures que tipicamente não aceitavam mais do que 3 clientes por dia para um
serviço de hora. As de rua aceitam mais clientes em serviços mais baratos. Penso
que foi numa edição da Visão, mas não tenho isso como certo. Fazendo a equivalência
com o inverso da percentagem anteriormente utilizada dá 7,5 unidades
equivalente de serviço.


