quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Cheira bem...não cheira a Lisboa!

Todos os anos a situação se repete. Em época de Natal e ano novo, os resíduos sólidos urbanos acumulam-se nas ruas de Lisboa devido a uma qualquer greve dos funcionários adstritos às funções de recolha dos lixos. Mas qual o impacto dessas greves para a cidade, para os seus habitantes, visitantes e até para os investidores?

As ruas ficam nauseabundas com caixotes a transbordar. As lojas têm de afastar os contentores cheios de lixo das suas portas e a higiene urbana degrada-se progressivamente. Alguns habitantes chegam até a “plantar” os seus sacos de lixo junto das árvores, num estranho mas enraizado costume lisboeta… A greve do lixo é um clássico dos tempos natalícios. Esta não foi a primeira greve nesta época do ano e não será também a última. A autarquia afasta responsabilidades para os sindicatos e os trabalhadores acusam a Câmara de não aumentar os ordenados, de cortar nas horas extraordinárias ou de outra qualquer coisa que sirva de justificativo a estas práticas.
Mas, a greve do lixo tem sobretudo um efeito negativo a médio/ longo prazo. Quantos turistas deixarão de visitar Lisboa por terem tido relatos de uma cidade suja e a cheirar mal? Quantos investidores decidirão colocar o seu capital e os seus projectos em outros pontos do país e do mundo mais limpos e cuidados? E quantos lisboetas terão um comportamento menos responsável por terem visto a sua cidade transformada numa lixeira a céu aberto? Estes efeitos raramente são contabilizados mas têm impactos económicos e culturais certamente muito significativos.
O Governo e a autarquia têm apostado bastante na atracção de turistas e investidores a Lisboa. Há inúmeros programas e apoios para dinamização da capital. Mas não podemos esquecer que são pequenos eventos, como a greve do lixo, que são os factores decisivos nas respostas das pessoas e das empresas a questões como: Para onde viajar? Onde morar? Onde investir?
Há muito tempo que Lisboa não é a antiga cidade que cheirava bem! Não são as flores colocadas na Av. Da Liberdade nem as flores dos jacarandás que conseguem mudar os cheiros de Lisboa. A acumulação de lixos e os efeitos culturais que a irresponsabilidade promove são até propiciadores de um desleixo social que tenderá a aumentar. (quem não conhece casos de cidadãos que despejam o cinzeiro dos carros no passeio, que sacodem os tapetes da varanda, ou que “adubam” as árvores com os seus sacos de lixo…).

As cidades necessitam de ser geridas de forma integrada e os problemas crónicos não podem perdurar ano após ano. A greve do lixo de 2013/14 não foi um caso isolado mas tão somente um episódio de uma história socio-cultural que tem vindo a degradar-se, com impactos económicos negativos mas que ficarão por quantificar!



artigo publicado dia 7.1.2014 na página web da RR, SIC e Expresso Parlamento Global


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cavaco, O Distante!



Na história portuguesa, os reis e rainhas ficaram conhecidos pelo seu tipo de governação, pelos seus feitos mas também pelo cognome que lhes foi atribuído. Com a implantação da república, esse hábito desapareceu mas a memória colectiva e a apreciação social não terminou. As populações continuam a avaliar a prestação dos seus governantes e é usual atribuírem-lhes adjectivos ou mesmo denominações.

Cavaco Silva tem tido mandatos presidenciais difíceis de enquadrar. A sua acção desenvolve-se sobretudo nos meandros do poder e a sua palavra é disseminada nos discursos efectuados em ocasiões festivas. Não se pode dizer que seja um presidente pouco interventivo ou mesmo alheado dos problemas. Cavaco parece estar bem informado e tem conseguido manter a estabilidade política no país, apesar das complicadas decisões que teve a seu cargo.
Mas Cavaco não é um presidente próximo das populações. Ao contrário do fulgor demonstrado nos períodos eleitorais, Cavaco Silva opta por se refugiar na sua residência e por não intervir publicamente sobre a situação do país ou sobre os problemas do mesmo.
Nos seus raros comentários públicos refere-se até ao exercício das funções de Presidente da República na terceira pessoa do singular, demonstrando um claro distanciamento das funções para que foi eleito.

Cavaco não é o Presidente da República. Cavaco e o Presidente da República são pessoas diferentes que se encontram em algumas ocasiões mas raramente convivem de forma simbiótica.
Foi nos tempos áureos do cavaquismo e da adesão à União Europeia que Portugal mais se motivou. Nessa altura, o Primeiro Ministro era a mesma pessoa da personalidade que ocupava o cargo, o cidadão Cavaco Silva.
Os tempos são outros e os desafios também! Mas o país e os cidadãos são tendencialmente os mesmos, que necessitam de ser motivados e esclarecidos para compreenderem quais são os problemas e, principalmente, quais são as soluções.

Cavaco Silva, arrisca-se a ficar conhecido não pela sua actividade governativa enquanto Primeiro Ministro. Arrisca-se ainda a não ficar conhecido pela sua actividade académica. Cavaco Silva será recordado pela sua magistratura de influência…na sombra e pelas intervenções públicas…esporádicas e demasiado formais.

Mas sobretudo, arrisca-se a ficar conhecido por “Cavaco, O Distante!”


Artigo publicado no espaço Opinião do Parlamento Global em 12-12-2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Exemplo Mandela


Antes de aceitar ser libertado, Nelson Mandela mostrou ao mundo um exemplo de verdadeiro serviço público ao fazer depender a sua libertação, da libertação dos restantes presos políticos na África do Sul.

Quando um político, em liberdade, vota um qualquer projecto de lei tendo em consideração os interesses do escritório de advogados onde tem avença, do grupo económico que o patrocina ou da organização onde presta vassalagem (mas não dos cidadãos que representa), de nada serve citar Mandela nas redes sociais para se tornar isento!

É caso para dizer que Mandela conseguiu ser livre mesmo na prisão.

Outros, não querem ser livres mesmo em liberdade!



sábado, 16 de novembro de 2013

Sobre a entrevista de Fernando Moreira de Sá

Quando em 2010, decidimos criar um blog, eu e o José La Palice tínhamos consciência do que nos rodeava. Na blogosfera havia muitos blogues que seguíamos. Alguns blogues eram isentos mas outros estavam alinhados com partidos, movimentos ou grupos de interesse. Com a entrevista do Fernando Moreira de Sá à revista Visão, temos agora a confirmação de que havia uma espécie de instrumentalização das redes sociais como forma de apoio politico a um determinado candidato.
Se alguns bloguistas tomavam as suas posições em consciência (e eu conheço alguns), outros eram uma espécie de marioneta partidária de uma estratégia que poucos conheciam mas que muitos apenas não queriam ver.

Estas novas formas de fazer politica vieram para ficar e alteraram profundamente os mecanismos tácticos dos partidos. Os partidos não são mais grupos alargados de pessoas com os mesmos ideais. Há nos partidos uma revolução cibernética que transformou as mensagens em imagens e a realidade em cusquices mediáticas. Antigamente, os partidos tinham uma mensagem e o desafio era dar a conhecer o seu teor e seduzir o maior número de votantes. Hoje, os partidos testam as mensagens e as imagens nos sites, blogues e webpages, seduzem os opinion makers e os bloguistas, tentam domar os militantes e descredibilizam os opositores dessa mesma forma.
É uma forma de fazer política pela negativa, através do uso maciço das novas formas de comunicação. Os partidos são publicidade, marketing e informática. Deixaram de ser filosofia, cidadania e politica.
Na rádio e na televisão comenta-se o comentador porque não há mensagens ou argumentos políticos para comentar, analisam-se as imagens porque os manifestos não têm qualquer interesse, confunde-se direita com esquerda porque a lógica é dividir para reinar e não pensar para governar.

Estas novas estratégias são arriscadas, muito arriscadas. Em primeiro lugar porque é difícil mantê-las no tempo e em segundo lugar porque são perversas para os próprios partidos face a uma qualquer empresa de comunicação.
Nem sempre o que parece optimo no curto prazo, se revela uma estratégia sustentável mas a pressão mediática e politica para aumentar votos é muitas vezes perversa para a estabilidade politica do país e para a própria classe politica.
Alguns bloguistas foram promovidos a governantes, outros optaram por se manterem na sombra mas os blogues passaram a ser centros de recrutamento de recursos politicos.


O desafio para quem escreve em blogues é grande. Cada um escreve o que quer mas alguns escrevem apenas aquilo que a sua consciência permite. Aqui no Dinamizar Portugal ninguém fala pelos restantes e ninguém censura opiniões. Temos contribuidores de direita, de esquerda e alguns que não gostam de politica. Mas temos sobretudo pessoas que escrevem a pensar na eficiência do país e no Bem-Estar-Social dos portugueses. Podemos escrever muito ou pouco mas não fazemos parte de nenhum estratagema partidário....e assim queremos continuar!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Feira da Castanha - Festa do Castanheiro, em Marvão

No passado fim de semana decorreu na vila de Marvão a 30ª Festa do Castanheiro – Feira da Castanha. Trata-se de um evento que atrai milhares de turistas e visitantes a esta localidade situada dentro do "Triângulo Turístico Marvão – Castelo de Vide – Portalegre" e em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede. Se habitualmente não faltam motivos para visitar esta região do país, localizada entre a planície alentejana, as serras da Beira e a fronteira com Espanha, no segundo fim de semana de Novembro o cheiro a castanha assada invade as ruas estreitas e sinuosas de Marvão e aguça o apetite ao fruto do castanheiro.

A Feira da Castanha é um dos eventos mais significativos do Alto Alentejo, pelo número de pessoas que mobiliza mas também pela sua longevidade, conseguindo reinventar-se ao longo de 3 décadas, sem abdicar dos princípios que nortearam a sua criação.

Se durante alguns anos se contou e publicou que esta festa foi uma reprodução de um evento similar que decorria em França, tentando dessa forma falaciosa conceituar o certame, hoje é indiscutível que a génese do evento ocorreu dentro das muralhas da localidade e se deve a uma ambição genuína de 3 Marvanenses para desenvolver a actividade agrícola e a economia do concelho. Por isso mesmo, os seus fundadores foram, nesta 30ª edição, homenageados pela autarquia, o que serve de incentivo a muitos outros cidadãos que tenham boas ideias em prol da comunidade e que não desistam até as implementar.

A necessidade de justificar as iniciativas nacionais com os exemplos do estrangeiro é muito comum em Portugal. Desconfiamos mais de nós próprios do que dos outros. Será que um evento é mais credível por se dizer que foi copiado de um outro país do que afirmar que foi uma iniciativa local fruto da criatividade e da ambição bairrista?

A Festa do Castanheiro – Feira da Castanha continua a ser um evento de referência nacional e internacional. Ter sido criada dentro da vila não a tornou menos relevante! Pelo contrário! Isso contribuiu para a sua implementação, divulgação e manutenção ao longo dos anos, por ser diferente de tudo o que existia até então.

Da mesma forma que os Marvanenses criaram e apoiaram este evento durante 30 anos, também saberão adequar a Festa à nova realidade económico-social sem a descaracterizar dos princípios estruturais que lhe deram origem!  E, para isso, poderão considerar exemplos externos mas não devem abdicar da sua própria ambição para o desenvolvimento do concelho!

Viva a Feira da Castanha - Festa do Castanheiro! Em Marvão, claro!


artigo publicado na edição online do Parlamento Global em 14-11-2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Os melhores amigos dos homens são...as leis!

A recente polémica sobre a legislação que pretende limitar o número de animais de companhia é mais um sinal que em Portugal se prefere uma boa briga, em alternativa a tentar perceber se uma decisão tem ou não fundamento.

Muitos portugueses encheram páginas em redes sociais a insurgir-se contra a medida por ser limitativa, a seu ver, das liberdades individuais. No entanto poucos se lembraram, nestas criticas, de pensar nos direitos animais ou nos direitos dos vizinhos.

Por exemplo, se eu tiver 5 cães ou 10 gatos num apartamento de 45 metros quadrados, não estarei a colocar em causa a sua (dos animais) própria qualidade de vida? E como será a qualidade de vida dos meus vizinhos?

Uma outra vertente de análise está relacionada com o facto da medida ser ou não oportuna, tendo o país tantas debilidades financeiras e problemas muito mais relevantes para tratar. Mas se o Governo se limitasse a resolver problemas económicos, será que não haveriam também muitas criticas sobre a ausência de outras politicas de interesse público?

Somos o país da critica fácil e dos governos sombra em qualquer café (e mais recentemente em qualquer rede social). E é caso para dizer, utilizando uma expressão popular, que "quem não é preso por ter cão....é preso por não o ter"!


Artigo publicado no dia 30/10/2013 na página da SIC, RR e Expresso: http://parlamentoglobal.sapo.pt/


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cidades "independentes" são cidades esquecidas?

Todas as eleições são momentos de regeneração. Regeneram-se os eleitos e regeneram-se os votantes. Estas eleições autárquicas foram, para além disso, momentos de regeneração politica que trará consequências a médio prazo. Vou cingir-me a dois concelhos nesta minha breve análise: Porto e Portalegre

O Porto já nos habituou a surpresas. Com a vitória de Rui Moreira (independente apoiado pelo CDS-PP e pelo anterior presidente da câmara), tivemos mais um sinal sobre as motivações para o voto dos portuenses. Se há quem diga que Rui Moreira beneficiou com o voto útil motivado por sondagens que o colocavam empatado ao PS, a verdade é que a votação foi muito expressiva e relegou Luis Filipe Menezes. ex-lider do PSD para um terceiro lugar. A posição do anterior presidente da câmara, Rui Rio, contribuiu também para essa orientação do voto popular.

O outro caso é o de Portalegre, onde uma candidatura independente saída da órbita do PSD conquistou a autarquia com maioria absoluta, beneficiando de estratégias erradas dos adversários e de uma mensagem de vitimização (pessoal e política, aparentemente demagógica) que não foi refutada em tempo útil e foi muito bem acolhida pela população.

Mas, independentemente dos motivos que levaram ao voto em candidaturas independentes, o que importa é que os eleitos sejam bem sucedidos na implementação dos seus programas e das suas estratégias na dinamização dos concelhos.
Em qualquer dos casos (Porto e Portalegre) haverá consequências directas e indirectas para os cidadãos, para as cidades e para os partidos de onde as candidaturas supostamente independentes saíram.

Se, no caso do Porto, a dimensão da cidade e a capacidade de intervenção dos eleitos  é suficiente para manter a voz politica no panorama nacional, em Portalegre isso pode não acontecer por ser uma das capitais de distrito mais pequenas do país.
O efeito dimensão vai ser extremamente relevante para a afirmação dos executivos e para a recomposição de elencos partidários afectados pelo terramoto provocado pelos dissidentes. As cidades maiores lideradas por independentes terão o seu espaço de intervenção eventualmente aumentado. Já as cidades pequenas têm de se adaptar e encontrar formas de reacção ao mais do que esperado e crescente esquecimento por parte do poder central e dos partidos que renegaram.


É uma inevitabilidade do mediatismo politico nacional. É necessário estar alerta para este risco de forma a desenvolver estratégias que minimizem os impactos negativos e perversos das "cidades independentes", principalmente das cidades de pequena dimensão.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O incendiário

A entrevista de José Sócrates ao Jornal Expresso é o espelho da sua governação como Primeiro Ministro.
Sócrates lutou contra tudo e contra todos. Contra os partidos opositores, contra as instituições internacionais, contra as mais altas figuras do Estado e inclusive contra membros do seu próprio partido. José Sócrates demonstra na entrevista que se considera uma personalidade superior, dotado de uma sapiência que o afasta dos meros mortais.
Trata-se de um artigo que li com a amargura de sentir que se tratava de tempo perdido. Sócrates fala do passado, do seu passado que confunde com o passado do seu país e utiliza uma linguagem brejeira que não o dignifica!
Não refere uma única ideia para Portugal nem defende nenhum argumento construtivo. Mas critica tudo e todos, sem se mostrar minimamente arrependido sobre as politicas que seguiu nos seus governos.

A sua entrevista é uma espécie de fogo com várias frentes activas e onde muitos poucos se escapam de ficarem chamuscados.
Sócrates mostra que é um governante dos tempos modernos, rico em oratória mas pobre em conteúdo. Foi um corredor de curtas distâncias e de meio fundo do atletismo político português. E neste momento está em estágio na actividade de comentador para regressar em plena forma às maratonas que se avizinham!

Será ele o cabeça de lista do PS às eleições europeias numa tentativa de ser eleito presidente do Parlamento Europeu, coisa que Mário Soares não conseguiu? Ou estará mais interessado em suceder a Cavaco Silva, disputando as eleições presidenciais com M. Rebelo de Sousa, R. Rio ou, eventualmente, inclusive com António Costa??

Quais são as apostas?

Tenham medo....o enfant terrible está de regresso e mais enraivecido do que nunca!!!


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Prémio Nobel e uma bonita idea de Bob Shiller

Venceram o Nobel da Economia este ano Eugene Fama, Lars Hansen e Bob Shiller. Uma escolha surpreendente a meu ver, não porque cada um destes economistas não mereça o prémio (pelo contrário), mas antes pela atribuição conjunta, para premiar trabalhos diferentes em método e em espírito.
 
Mas não pretendia discutir as razões da atribuição do prémio. Em vez, queria aproveitar a oportunidade para discutir uma das ideias mais interessantes de Bob Shiller, um economista cheio de ideias originais e de enorme alcance prático.
 
Shiller propôs que os governos deveriam emitir dívida indexada ao valor nominal do PIB. Este novo título do tesouro possuiria uma característica extremamente desejável: o dividendo seria elevado em periodos em que o crescimento do PIB nominal fosse elevado, e em vez reduzido em periodos de recessão!
 
Uma ideia genial! Reparem que se a divída do Estado estivesse indexada ao valor do PIB, a crise do euro teria provavelmente sido evitada!
 
É uma ideia muito simples, mas extremamente poderosa. Um contributo simples para "completar os mercados" e, consequentemente, melhorar o funcionamento da economia. Que pena, que estas ideias mais elegantes e poderosas sejam tantas vezes ignoradas, por serem menos convencionais... Espero que este Nobel contribua para promover esta bonita ideia! 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Politica = 80% Imagem + 20% Mensagem

A sociedade actual é vulgarmente apelidada de sociedade da informação. Qualquer pessoa que necessite de saber mais sobre um assunto, facilmente recorre a jornais, televisão ou internet para obter os esclarecimentos que necessita. No entanto, e em paralelo, há pouca disponibilidade ou mesmo interesse para obter mais informação sobre assuntos de interesse comum como politica e economia.

Este é um problema dos meios de comunicação que explicam mal os assuntos que analisam mas também dos partidos políticos que passaram a ser 80% marketing e 20% mensagem.

Esta opção da imagem em detrimento dos valores foi uma consequência dos hábitos dos cidadãos, mais interessados em mensagens visuais apelativas do que em argumentos irrefutáveis.

Um dos exemplos mais comuns sobre este assunto é a enorme falta de informação na sociedade sobre o programa de ajustamento, quais os problemas que o motivaram, quais as alternativas e consequências se não fosse cumprido.

Muitos dos cidadãos não sabem o que são os mercados nem percebem porque temos de nos sujeitar a medidas de contenção orçamental. Esse desconhecimento não origina uma pesquisa do próprio para se informar sobre os temas e acaba por gerar uma critica pouco esclarecida, falaciosa e inconsequente.

Ainda assim, os políticos continuam a utilizar chavões desconhecidos e a falar num "politiquês" cada vez mais distante da linguagem dos seus concidadãos.

A politica necessita ser explicada para ser compreendida. Isto significa que não bastam meia dúzia de palavras caras e falar no "bicho papão" que são os mercados para justificar uma qualquer medida. Da mesma forma, é claramente insuficiente refutar toda e qualquer medida do governo como alternativa politica sem referir qual seria a consequência dessa decisão suicida.



Artigo também publicado dia 10/10/2013 no blog "OPINIÃO" da página da SIC, Expresso e RR, www.parlamentoglobal.pt