terça-feira, 20 de maio de 2014

Nunca Mais

Apesar de não ser habitual associar-me a petições ou manifestos públicos, decidi juntar o meu nome a esta Petição cujo primeiro subscritor é o Prof. António Nogueira Leite.

Fi-lo por se tratar de uma petição apartidária mas cheia de conteúdo politico e muito pertinente para o bem estar dos portugueses. Subscrever esta petição significa dar um murro na mesa e dizer que estamos alerta contra a politica baseada em despesismos insustentáveis e demagogias arruinadoras para as finanças públicas. 

Como todas as petições, esta terá o retorno proporcional ao número de subscritores.
No inicio fomos 17 pessoas mas muitos mais portugueses já se associaram e gritaram "Nunca Mais".

Vamos levar esta petição aos principais decisores políticos, responsabilizando-os pelas suas acções (e inacções) futuras!




domingo, 4 de maio de 2014

Neuroeconomia #8

Em 1967, dois psicólogos, Martin Seligman e Steve Maier, conduziram uma experiência usando dois ambientes distintos, um previsível e outro imprevisível, e dois cães.
A experiência consistia em colocar um cão num ambiente e outro noutro. No ambiente previsível, o cão ouvia um alarme antes de sentir um ligeiro choque eléctrico no chão. A caixa em que decorria a experiência continha um botão que permitia desligar o mecanismo que provocava os choques e, rapidamente, o cão entendeu que podia desligar os choques. No ambiente imprevisível, o cão não ouvia nenhum alarme, nem tinha nenhum botão para desligar os choques, que simplesmente aconteciam de forma inexplicável.
Os cães foram depois submetidos a um novo ambiente, desta vez igual para os dois, em que a caixa em que se encontravam tinha uma divisória. Quando acendia uma luz, segundos depois, o chão do lado da caixa em que se encontravam emitia um ligeiro choque, e bastava saltarem para o outro lado da caixa para deixarem de o sentir. O cão habituado ao ambiente previsível depressa entendeu a experiência e, assim que a luz acendia, saltava logo para o outro lado da caixa. No entanto, o cão habituado ao ambiente imprevisível não tinha qualquer reacção, continuando do lado da caixa em que sentia o choque.

Esta experiência faz-nos lembrar o ambiente económico em que vivemos, em que com tantas situações imprevisíveis, fıcamos inertes perante os sucessivos colapsos que vamos enfrentando...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Neuroeconomia #7


Gary Becker, prémio Nobel da Economia, explicou uma teoria em que pessoas que cometem crimes aplicam uma análise racional de custos e benefícios. Becker estava atrasado para um encontro e não havia lugares disponíveis para estacionar de forma legal, então ele decidiu estacionar num lugar ilegal e arriscou-se a receber uma multa. Nesta decisão não está implícita a moralidade, mas apenas uma questão de custos e benefícios. Ele ponderou duas hipóteses: ser apanhado e o custo de receber uma multa, ou a dificuldade em encontrar um lugar de estacionamento legal e chegar atrasado ao encontro. Ele decidiu arriscar receber uma multa de estacionamento e cometeu o único crime permitido a um economista, um crime perfeitamente racional.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Televisões Pimba - Passatempos Duvidosos

As televisões generalistas especializaram-se numa tipologia de programas de fim de semana que associam musica de qualidade duvidosa, reportagens sobre usos e costumes dos portugueses e passatempos telefónicos que prometem oferecer avultadas quantias em dinheiro.

Esta mistura é seguramente o resultado das lutas de audiências e da necessidade de ocupar espaço televisivo a preços reduzidos. Se as televisões insistem neste formato, isso significa que têm espectadores para a tipologia apresentada, o que diz muito sobre os reais interesses dos portugueses.

O que mais me choca nesses pimba shows é a existência de passatempos que são autênticas máquinas de extorsão de dinheiro. Durante os programas, os apresentadores repetem dezenas de vezes consecutivas um determinado número de telefone (com chamadas de valor acrescentado). Aparentemente, se o telespectador ligar para o número apresentado no ecrã, fica automaticamente habilitado a um determinado prémio...e assim se passam mais uns minutos de televisão com encaixe de alguns euros.

No caso dos canais privados, esta é apenas uma estratégia que responde a estímulos de mercado. No entanto, a televisão pública deveria ser o garante da qualidade e das boas práticas comerciais.

Podemos discordar sobre a qualidade musical dos programas de fim de semana. Mas duvido que alguém considere que é serviço de público insistir num passatempo sem qualquer interesse cultural, desportivo ou social!

Artigo publicado por Nuno Vaz da Silva em Parlamento Global - 16/04/2014

quarta-feira, 2 de abril de 2014

“Presidente de la Democracia”


Foi com este título que o jornal El País homenageou Adolfo Suárez, antigo Presidente do Governo Espanhol nomeado pelo Rei Juan Carlos em 1976 e que faleceu recentemente aos 81 anos em Madrid.
Suárez não foi uma figura consensual em Espanha aquando da sua nomeação. Não foi ainda consensual durante a sua governação ou mesmo quando foi afastado do poder pela oposição. Mas Adolfo Suárez foi um estadista que deixou um legado que o tornou o político mais consensual de Espanha, segundo um ranking elaborado em 2010.
A sua carreira política é deveras interessante. Suárez governou para o país, com lealdade ao rei mas muitas vezes isolado. De uma coragem inquestionável, ousou efectuar reformas com rapidez, deu a mão às oposições e ofereceu literalmente o corpo às balas enfrentando tentativas de golpes de Estado, como aconteceu em Fevereiro de 1981.
Suárez foi um líder, um verdadeiro líder político, fiel às suas convicções morais e éticas. A sua habilidade para criar consensos possibilitou a construção de uma Espanha constitucional assente numa matriz regional com diversidade política. Suárez foi um presidente racional que governou sobre a realidade e não através da importação de modelos políticos desadequados.
Espanha prestou o seu tributo a Adolfo Suárez assim que a história mostrou o seu contributo decisivo para a construção democrática. As lutas políticas afastaram-no do poder mas ficará eternamente conhecido pelos seus concidadãos como o “Presidente de la Democracia”.
São estes exemplos de vida que devemos partilhar. A luta política não deve resumir-se a lutas partidárias inúteis e demagógicas. A diferença entre os pequenos líderes e os grandes estadistas está tanto nos pormenores como nas grandes tarefas democráticas. E cabe aos próprios construírem o seu caminho para tentarem alcançar os objectivos a que se propõem: a sua ambição pessoal ou o bem-estar social do seu povo!

Artigo publicado por Nuno Vaz da Silva em Parlamento Global, edição de 02-04-2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Assim se faz a integração europeia.

Devagarinho, completa-se a Zona Euro. Eis uma outra boa notícia, o Concelho Europeu aprovou uma proposta elaborada pela Comissão, em colaboração com o Parlamento Europeu para uma maior harmonização e integração da estrutura de garantias aos depósitos bancários! Assim se faz a integração europeia.

Já agora, esta notícia oferece um bom exemplo da importância do que se faz e discute no Parlamento Europeu. Espero que a campanha para as europeias sirva para discutir e avançar a qualidade do processo político de integração europeia.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Um Link interessante.

Quero deixar aqui um link para um estudo do impacto dos programas de ajustamento da Troika na Grécia, Irelanda, Portugal e Chipre. O estudo foi elaborado pela Bruegel, um dos principais think-tanks de economia europeus, e oferece uma análise de grande qualidade técnica e bastante pragmática. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sexy Autárquicas e Sexy Europeias? Ao mesmo tempo???


A escolha de João Ferreira como cabeça de lista do PCP às próximas eleições europeias é ao mesmo tempo absurda e normal.

É absurda porque João Ferreira foi candidato a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas últimas eleições, tendo sido eleito vereador do Município. Com a sua provável eleição para o Parlamento Europeu terá de abdicar do seu mandato em Lisboa ou na Europa (embora a hipótese mais provável seja a primeira). Mas João Ferreira já era também deputado europeu, tendo sido eleito com Ilda Figueiredo. O seu mandato só foi interrompido com a candidatura à CM Lisboa.
É ainda absurda porque o PCP tem criticado a postura de militantes de outros partidos que são escolhidos para candidatos a repetidos cargos, por diversas ocasiões.

Mas esta estratégia política é infelizmente normal na sociedade portuguesa. Há candidatos que adbicam dos seus mandatos durante o decurso dos mesmos ou até na própria noite das eleições. Se essa decisão fosse tomada pelos próprios antes das eleições, não haveria nenhum problema, até porque a lei permite esse tipo de comportamento errático. Mas como o eleitor desconhece esses factos, acaba por ser enganado pelo partido e candidato que apoiou. Há nesta postura um grau de informação adversa que distorce as decisões dos eleitores.
João Ferreira capitalizou alguns votos por ser o candidato “sexy autárquicas”, tendo conseguido um bom resultado para o seu partido em Lisboa. A decisão do PCP de nomeá-lo cabeça de lista nas europeias não é indiferente a esse facto. Não está em causa a capacidade técnica ou mesmo política de João Ferreira mas a sua escolha para concorrer a novas eleições quando as últimas (onde foi eleito) decorreram há menos de 6 meses, parece-me uma afronta para os eleitores que o apoiaram.

Terá o PCP escassez de quadros qualificados? Apenas consegue seleccionar um candidato dentro dos seus inúmeros militantes e simpatizantes?

Quando se acusa outros partidos de má postura politica deve-se, em primeiro lugar, analisar as decisões internas. Não é de bom tom apontar o dedo a outrem quando dentro de portas se passa o mesmo…ou ainda pior!

Os eleitores do PCP são fiéis e não será este facto que os demoverá de dar o voto ao seu partido. Mas o número de votos não apagará a atitude politicamente incorrecta  do PCP!



Artigo publicado na edição de 17-02-2014 do Parlamento Global



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A Demagogia de Seguro!


 António José Seguro é um líder cada vez mais demagógico. A sua crescente mediatização, aparentemente apoiada pela generalidade da comunicação social, baseia-se em contra medidas e contra propostas que são pouco credíveis. As lutas internas do PS, muitas delas na sombra, e a aproximação de duas datas importantes para as suas aspirações (resultado das eleições europeias e o final do período de assistência internacional) implicaram uma alteração da postura política do principal líder da oposição.

António José Seguro está a fazer uma aproximação crescente e perigosa ao populismo. Em vez de apresentar propostas concretas para melhorar o bem-estar social dos portugueses, limita-se a contrariar as medidas do Governo, num facilitismo de acção politica que afecta a sua própria credibilidade como Estadista. Foi assim com os feriados, tendo o PS garantido que os repunha como estavam e com o fecho dos tribunais em que o líder da oposição se limitou a apresentar proposta contrária à decisão do Governo.

Diz-se muitas vezes que o país não anda para a frente ou, nos meios mais rurais, “que não sai da cepa torta”. Com este tipo de postura partidária, de uma demagogia atroz sem conteúdo ou argumentação, é normal que continuemos no limbo por mais uns anos. Não é crime repor uma medida errada mas o discurso de Seguro faz lembrar uma espécie de regresso ao passado num conservadorismo difícil de identificar com o Partido Socialista. Para além disso, se um Governo faz algo e o seguinte desfaz, não há orçamento do Estado que aguente tanta mudança.

Seguro está desesperado e inseguro! O PS não consegue criar uma onda de mudança na sociedade porque o Governo, ao que tudo indica, não necessitará de novo programa estrutural de assistência, porque as eleições europeias parecem menos favoráveis do que inicialmente seria de prever ao PS e, sobretudo, porque os candidatos a líder do PS estão em movimentações, prontos para aparecer em caso de qualquer falha de Seguro, o que provocará certamente algum nervosismo ao actual líder!

Das duas uma: ou Seguro está ciente que não chegará a Primeiro-ministro e opta agora por fazer o trabalho de campo de animal político populista para lançar um efectivo líder no PS com postura de Estado; ou então, Seguro caiu em desespero e, sem argumentos construtivos, decidiu radicalizar a sua acção, numa aproximação à esquerda mais radical que pode provocar uma eventual coligação pós eleitoral mas que lhe roubará muitos votos do centro!

As opções políticas pagam-se caro ou dão muitos dividendos. Independentemente da relação custo/benefício para Seguro, o país necessita, a bem da construção democrática, de um líder da oposição com argumentos sólidos. A actual postura de líder populista, frágil e cansado de manter as suas tropas mobilizadas com constantes ameaças de golpes de estado partidários, não serve os interesses da oposição nem é útil ao futuro do país!


Artigo publicado no site Parlamento Global, edição de 12-02-2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Cheira bem...não cheira a Lisboa!

Todos os anos a situação se repete. Em época de Natal e ano novo, os resíduos sólidos urbanos acumulam-se nas ruas de Lisboa devido a uma qualquer greve dos funcionários adstritos às funções de recolha dos lixos. Mas qual o impacto dessas greves para a cidade, para os seus habitantes, visitantes e até para os investidores?

As ruas ficam nauseabundas com caixotes a transbordar. As lojas têm de afastar os contentores cheios de lixo das suas portas e a higiene urbana degrada-se progressivamente. Alguns habitantes chegam até a “plantar” os seus sacos de lixo junto das árvores, num estranho mas enraizado costume lisboeta… A greve do lixo é um clássico dos tempos natalícios. Esta não foi a primeira greve nesta época do ano e não será também a última. A autarquia afasta responsabilidades para os sindicatos e os trabalhadores acusam a Câmara de não aumentar os ordenados, de cortar nas horas extraordinárias ou de outra qualquer coisa que sirva de justificativo a estas práticas.
Mas, a greve do lixo tem sobretudo um efeito negativo a médio/ longo prazo. Quantos turistas deixarão de visitar Lisboa por terem tido relatos de uma cidade suja e a cheirar mal? Quantos investidores decidirão colocar o seu capital e os seus projectos em outros pontos do país e do mundo mais limpos e cuidados? E quantos lisboetas terão um comportamento menos responsável por terem visto a sua cidade transformada numa lixeira a céu aberto? Estes efeitos raramente são contabilizados mas têm impactos económicos e culturais certamente muito significativos.
O Governo e a autarquia têm apostado bastante na atracção de turistas e investidores a Lisboa. Há inúmeros programas e apoios para dinamização da capital. Mas não podemos esquecer que são pequenos eventos, como a greve do lixo, que são os factores decisivos nas respostas das pessoas e das empresas a questões como: Para onde viajar? Onde morar? Onde investir?
Há muito tempo que Lisboa não é a antiga cidade que cheirava bem! Não são as flores colocadas na Av. Da Liberdade nem as flores dos jacarandás que conseguem mudar os cheiros de Lisboa. A acumulação de lixos e os efeitos culturais que a irresponsabilidade promove são até propiciadores de um desleixo social que tenderá a aumentar. (quem não conhece casos de cidadãos que despejam o cinzeiro dos carros no passeio, que sacodem os tapetes da varanda, ou que “adubam” as árvores com os seus sacos de lixo…).

As cidades necessitam de ser geridas de forma integrada e os problemas crónicos não podem perdurar ano após ano. A greve do lixo de 2013/14 não foi um caso isolado mas tão somente um episódio de uma história socio-cultural que tem vindo a degradar-se, com impactos económicos negativos mas que ficarão por quantificar!



artigo publicado dia 7.1.2014 na página web da RR, SIC e Expresso Parlamento Global