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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Inteligência, precisa-se!

Há um ano que venho dizendo que este Ministro das Finanças é, a meu ver, o mais burro de que tenho memória a alguma vez ocupar a pasta. Toma medidas altamente recessivas e depois vem dizer que "as receitas fiscais desceram inesperadamente e que a subida do desemprego surpreendeu-o".  
Na área de Bolsa temos um ditado (do qual os economistas que vão ler isto não vão gostar, (desculpa Nuno) que diz que os economistas passam metade do tempo a fazer previsões.... e a outra metade a explicar onde é que se enganaram. Se isto de facto tem o seu quê de verdade, e tinha que forçosamente sê-lo, porque a economia não é uma ciência exacta, este Ministro não falha as previsões por umas centenazitas de milhões, falha por milhares de milhões de euros. Não são umas décimas do PIB, são uns tantos por cento....
É também burro porque depois de ver que a receita não resulta insiste no mesmo e se o deixarmos fazer o que quer, vai, citando Manuela Ferreira Leite, "não só não atingir os objectivos mas também destroçar o país". 
Se por outro lado o que está a fazer é propositado, se o faz com vista a adoptar um modelo económico baseado em baixos salários é também igualmente burro. Ora se os custos do factor trabalho, segundo as próprias associações patronais, nos sectores exportadores, representam em média apenas 13% dos custos totais do produto, mesmo que usássemos mão de obra escrava, sem lhes pagar um cêntimo, o máximo que conseguiríamos baixar os custos seria 13%..... E com menos 13% (que é um número impossível de se alcançar) não iremos conseguir competir com a China ou a Indonésia (que parece que é o que se pretende). E se baixarmos os custos do factor trabalho em 30%, o reflexo no custo final será de 3,9% por isso não vamos sequer poder competir com os países do leste europeu. Já para não falar no desastre que seria baixar os ordenados do sector produtivo em 30%. Já ganham o salário mínimo, por valores mais baixos saía-lhes mais barato ficar em casa. E a curto/médio prazo até os países de leste, que têm níveis de escolaridade e formação bem superiores aos nossos,  vão deixar esse modelo económico dos baixos salários e avançar para outras áreas, deixando-nos a competir com os chineses. Por isso digo e repito: este Ministro é o pior Ministro das Finanças de tantos quantos já vi ocupar a pasta. E não é só incompetente, é burro.
(Ressalva: o resto do artigo foi revisto dado ter sido baseado numa fonte que afinal não tinha os dados correctos, e o meu agradecimento aos dois primeiros comentadores por o terem trazido à minha atenção)
Feito o desabafo, aqui fica uma ideia para irem buscar mais dinheiro e sem prejudicar minimamente a economia e os agentes económicos: lancem um imposto extra de 25% sobre todos os prémios dos jogos da Santa Casa. Se houver forma de mexer também no imposto sobre o Euromilhões, melhor ainda.
Pelo que a V. escreveu nos comentários, a taxa actual é de 4.5%, passando para os 25%, arrecada-se mais 20,5%. 
Tudo isto sem mexer nos bolsos de quem trabalha, sem introduzir mais efeitos psicológicos negativos na confiança dos consumidores e sem qualquer contestação social. Não estou a ver os jogadores manifestarem-se, eu por ex. se ganhar o Totoloto prometo que não reclamo sobre o imposto...