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sexta-feira, 1 de abril de 2011

O senhor das 20.30h

Costuma-se dizer que é nos momentos mais difíceis que as maiores qualidades dos homens vêm ao de cima. Ainda para mais, no caso dos portugueses, diz-se que só são capazes de obter bons resultados quando sob pressão e perto do final dos prazos. Infelizmente, ontem pelas 20.30h confirmou-se o que se esperava. Muitas vezes, o que os momentos difíceis trazem à tona é na verdade a cobardia e o medo. Situações excepcionais exigem medidas excepcionais. Bolas, se há situação em que o desenrascanço (já que planeamento como é evidente falhou ou não existiu) é necessário a Portugal seria agora. Mas pelos vistos, o que nós temos é alguém que ou não é Português ou não gosta de Portugal ou ambas.

É aflitivo saber que nos esperam (segundo a vontade do senhor que falou às 20.30h) mais 2 meses de desgoverno por parte de uma equipa que diz que não tem condições para fazer o seu trabalho. Uma pessoa com coragem daria um murro na mesa e faria por encontrar uma solução que trouxesse mudança imediata. Uma pessoa medrosa (confesso que hesitei no sítio onde colocar o "r"), não! Agarra-se aos formalismos e lava as suas mãos de responsabilidades. Ainda para mais sabendo que o que ele fez agora, poderia muito bem ter feito há um ano atrás. Hélas, há um ano atrás o seu interesse egoísta prevaleceu, pois ele queria tranquilidade de modo a assegurar a sua recandidatura num clima estável. Egoísmo esse que diga-se, sempre prevaleceu na carreira do senhor das 20.30h. E todos sabemos que uma equipa liderada por um egoísta dificilmente ganha. Que dizer de Portugal que está entregue a dois dos maiores egocêntricos que Portugal conheceu desde há largas dezenas de anos.   

Mas em boa verdade, estes dois não estão onde estão por não terem apoio. Há muitos que os apoiam. Recue-se alguns dias para ler o que dizia alguma da “elite”, horas antes de Sócrates ter pedido a demissão, sobre se seria positivo ou não haver novas eleições:

- Carlos Monjardino: “Não devia haver eleições, não vão adiantar nada independentemente de quem ganhe porque não vai resultar uma maioria estável para o País fazer face aos desafios todos que tem pela frente. Este Governo tem mais capacidade, de contactos, de enfrentar os próximos meses/a no do que um próximo Governo que tem de aprender muitas coisas”.
- António Saraiva, presidente da CIP: “Acho que devemos deixar cumprir a legislatura até ao fim, independentemente dos erros que se possam apontar ao Governo. Cada vez mais as decisões são da União Europeia e menos dos governos”.
- Miguel Pais do Amaral - Presidente da TVI: “Claro que não. Porque eleições antecipadas significam incerteza e provocará muito provavelmente a imediata intervenção externa. Se se realizarem essas eleições, os juros vão atingir níveis estratosféricos, para níveis que não poderemos aguentar. É uma pena, depois de o Governo ter conseguido um acordo em Bruxelas”

Não posso também deixar de fazer uma larga citação ao último artigo do Nuno Garoupa no Negócios (Um País sem saída) onde ele expõe as alternativas que outros países tomaram em situações similares:

Saída à canadense: o governo minoritário do Canadá caiu depois da aprovação de uma moção de censura na mesma semana que o primeiro-ministro português se demitiu. O Canadá não está no abismo económico em que está Portugal, mas terá eleições a 2 de Maio. Portugal um mês mais tarde. São umas regras constitucionais absurdas, feitas por quem não entende o custo económico e social da incerteza política ao longo de 55 dias, que apenas servem os interesses políticos instalados e que ninguém quer mudar de uma vez por todas.

Saída à italiana: quando a Itália enfrentou uma crise política grave nos anos 90, com um desgaste profundo da classe política e falta de confiança nas instituições, o presidente italiano nomeou um governo tecnocrata (presidido pelo governador do banco central) para "arrumar a casa" e preparar eleições com isenção. Dadas as dúvidas sobre o verdadeiro estado das finanças públicas e os compromissos internacionais assumidos, dada a experiência de 2009 com um governo de gestão Sócrates, dado o azedume e violência verbal da campanha que se aproxima, um governo tecnocrata (presidido, por exemplo, pelo presidente da Assembleia da República) certamente daria uma garantia de isenção, de rigor e bom senso no contexto de um potencial resgate externo. Semelhante governo não interessa nem ao PS (que evidentemente utilizará despudoradamente a máquina do Estado como fez em 2009) nem ao PSD (que prefere "descobrir" seja o que for depois das eleições, desta forma evitando comprometer-se demasiado cedo). O Presidente da República teria que ter uma coragem política e um sentido de responsabilidade que obviamente rejeita com a sua interpretação absolutamente limitada dos poderes presidenciais. “ Fim de citação.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Propostas para o problema da justiça II - acabar com a massificação dos cheques bancários

Em nenhum país civilizado é possível adquirir um bem ou serviço em troca de um papel rabiscado com uns números e uma assinatura, que basicamente diz a quem recebe o cheque o seguinte: "olhe, eu não tenho agora aqui dinheiro comigo ou disponível para lhe fazer uma transferência bancária. Mas vou-lhe escrever e dar este papelucho, e se você confiar em mim, acredite que eu tenho dinheiro na conta".

Pontos a favor:
- Eliminação dos largos milhares de caso que vão surgindo cada ano devido a cheques sem cobertura.

Pontos contra:
- Eventual redução dos depósitos bancários, se bem que julgo que não iria existir uma transferência tão significativa para as transacções em numerário.

terça-feira, 29 de março de 2011

Jogo de palavras presidencial

A obra-prima do mestre não é necessariamente a mesma coisa que a prima do mestre-de-obras. A linguagem é algo maravilhoso, pois duas expressões que aparentemente poderiam significar o mesmo, querem dizer na verdade coisas bem diferentes.

Vem isto a propósito da confusão que eu tenho reparado na mente de muitas pessoas sobre o carácter de quem aproximadamente 25% dos eleitores portugueses escolheram. Muitos (demasiados mesmo) acreditaram que neste 2º mandato ele fosse mais interventivo, ainda para mais no período conturbado que atravessamos. Além disso, foi o próprio que disse que iria exercer uma “magistratura activa” (alvíssaras a quem me explicar o que é uma magistratura passiva). Quiçá imbuídos pelo espírito sebastianista, julgaram ver nele o agente que iria incentivar as mudanças de que o país tão necessita. Ora, uma pessoa que trabalha em prol da mudança pode ser considerado um reformador.

Como todos os factos até ao momento comprovam, não, ele não é nenhum reformador. Há que tirar o “r” do final. É mesmo só um reformado. E um reformado é por definição alguém que deixou de ter um papel activo no que ao trabalho diz respeito. Concluindo, Portugal precisa definitivamente de pessoas com carácter reformador e não de reformado. Até porque, com todo o respeito, para os reformados a vida actual decorre a uma velocidade muito maior que nem dá semanas suficientes para ponderar, reflectir ou planear com calma sobre os assuntos que vão surgindo.

domingo, 27 de março de 2011

Krugman e a austeridade

Ao ler o artigo do Krugman (aqui) sobre as medidas de austeridade implementadas pelos Governos, só me surge uma dúvida: como é que uma pessoa que coloca Portugal e Grécia no mesmo patamar que os EUA, no que à liberdade das medidas económicas a tomar, ganha um Prémio Nobel de Economia?

sábado, 26 de março de 2011

Estou farto....

- de ver José Sócrates e sua entourage a aldrabarem de forma doentiamente repetida e completamente descarada os portugueses;
- de terem sido Guterres, Barroso e Sócrates a demitirem-se, e não nós portugueses a correr com eles;
- de fazer refresh sucessivos na página da presidência em busca de algum sinal de vida do geriátrico presidente;
- de ouvir apelos angustiados de cínicos como Sampaio e Soares;
- de que me tentem tomar por tolo, como quando Marcelo Rebelo de Sousa diz que provavelmente Sócrates fez o que fez por pensar que ainda tinha maioria absoluta e não queria forçar eleições antecipadas;
- de assistir ao Parlamento ser completamente ignorado e insultado por este governo;
- de ouvir ardentes comentários questionando a capacidade de Passos Coelho, mas a mesma pessoa dizer que o Teixeira dos Santos até é uma pessoa competente e séria;
- de ver que Passos Coelho ainda não tem uma equipa atrás dele que actue de uma forma organizada e coesa;
- de ver/ouvir/ler comentários dos mais variados idiotas a dizer que o ideal era haver um consenso entre os vários partidos ou que é melhor evitar ajuda externa (mais ajuda externa digo eu). La Palice não diria melhor;
- de ouvir pessoas a dizer que esperam que isto acontece, que fazem votos para que, que desejam que, ao invés de apelar ao trabalho e ao protesto da população para exigir que de facto se tomem medidas que pensem no nosso país. Ao contrário do outro cagão, acredito que nas ruas se muda alguma coisa;
- de ler que, nesta altura de emergência, antes de discutir medidas é boa ideia fazer auditorias às contas públicas para saber o real estado da coisa, através claro está....de comissões;
- de ver que há quem acredite que existem pessoas independentes politicamente. Como se ter ideologia fosse algo negativo.
- de ver que mesmo com toda esta espiral de acontecimentos, uma larga maioria da população continua na letargia e na resignação portuguesa do: "são todos os mesmos e isto não muda nada"
Em suma, irra: farto de palermas.

domingo, 20 de março de 2011

Propostas para problema da justiça - utilities pré-pagas

Como é sabido, os tribunais em Portugal estão atulhados com processos relacionados com cobranças de facturas de telemóvel, internet, electricidade, etc. Uma vez que o volume é tal, é imperioso que se tomem medidas mais fortes, como as que descrevo abaixo:

Soluções fáceis e implementáveis de imediato:
- comunicações (móveis, fixas e internet): proibir contratos de assinatura, passando só a haver serviços pré-pagos;
- televisão por cabo ou digital: proibir contratos de assinatura também, podendo igualmente existir só pré-pagos;

Soluções que implicam custos de implementação:
- para electricidade, água e gás canalizado averiguar qual a solução tecnológica e seus custos que permita uma solução de pré-pago;
Para que não se julgue que isto são apenas teorizações, fica aqui um exemplo do que acontece em Pequim (ver min. 5.50).

Pontos a favor:
- Eliminação de situações de incobráveis, aliviando sobremaneira os tribunais de centenas de milhares de processos;
- Redução dos consumos em utilities;

Lobbies contra:
- Estado recebe menos receita de impostos. P.ex., actualmente o IVA é pago independentemente de a operadora receber ou não do cliente.
- Empresas de utilities

sexta-feira, 18 de março de 2011

Rescaldo do protesto da "Geração à Rasca"

No rescaldo dos protestos de sábado dia 12 de Março como manifestação da chamada “Geração à Rasca”, é fundamental “parabenizar” os quatro impulsionadores iniciais do mesmo. Apesar de ter dúvidas quanto à total independência partidária do mesmo, isso é perfeitamente secundário.

Passando pelos pontos óbvios já sobejamente falados (movimentação da sociedade civil, carácter pacífico da mesma, heterogeneidade dos participantes) existiram duas coisas que me deixaram bastante apreensivo quanto ao estado a que Portugal chegou. A saber:

- 38 anos depois a canção “Tourada” do Fernando Tordo ainda é cantada em coro pelas ruas da Avenida da Liberdade durante uma manifestação. Diz muito sobre as mudanças que ocorreram em Portugal no entretanto.
- Pior que isso, foi ver de parte de uma pessoa jovem que estava no protesto, o seu imenso pavor a que fosse apanhada pelas imagens de alguma reportagem de televisão. Era funcionário público (professor). Que triste clima de medo e de auto-censura que se está a viver em Portugal.


Ps: Nos tempos aúreos da Stasi, chegava a haver cerca de um informador para cada 200 habitantes da RDA. Com a auto-censura que se está a instalar em Portugal, por este caminho ainda nos tornamos mais eficientes :(.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Democracia? Onde? Em Portugal? - adenda

Com os mais recentes eventos, tenho de fazer aqui um mea-culpa pelo meu lapso aquando da apresentação das alternativas face à ausência de um estado democrático em Portugal. Mencionei autocracia, cleptocracia, partidocracia, mas faltou-me algo que começa por “f” e acaba em “lismo”.

Então na 6ª feira passada o país é informado pelo Governo daquela forma em Bruxelas que vamos pagar mais impostos devido ao PEC IV, onde ficou espelhado (se mais confirmações fossem necessárias) o respeito que têm pelo país? Eu sinceramente, cada vez mais me sinto como as gentes da época medieval, onde a sua vida enquanto servos era regida por um mui iluminado e autoritário Senhor que basicamente o que fazia era cobrar impostos. E de tempos a tempos esse Senhor tinha de ir prestar contas ao Rei (nos tempos modernos a União Europeia). Chama-se a isto Feudalismo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Portugal visto na perspectiva da BBC News

Acabei de ver uma pequena reportagem feita pela BBC News. A mesma, com o título de "Portugal faces strain in economic revolution" pode ser vista aqui. Entre as várias pessoas entrevistadas, achei curioso o facto do Anacleto Louçã soar muito menos agressivo quando fala inglês (as ideias essas não mudam).
Mas também entrevistou o Ministro da Economia, Vieira da Silva, que foi apresentado como o homem que tem de implementar a austeridade. Aqui fica o que o jornalista escolheu da conversa com ele:

"Jornalista: Will Portugal avoid a bail-out?
Vieira da Silva: We (?) have decided not to do it. I think we are winning the battles we have to in. 
Jornalista: What would be so wrong with accepting a bail-out? Drawing a line on the european crisis, going inside the fortress and finally defeating the financial markets.
Vieira da Silva: Do you believe that? Every..uhh..there is ahhh...there is....everyone....in the present says, believes that it will be the end of the eurozone crisis.(pause) i don't think so. I use sometimes an image: we are in the middle of a bridge. (pause) In the...from the side where we came from is the side of an economy based on low wages, on low technology, and the other side of the bridge is a different economy, with a high level of knowledge, a high level...ahh high, oh..a higher level of education, of..the...with more add value in the products and exports. And we are in the middle of that bridge. The question uhh we can go back. Because the other side is not there!"

Nem vou comentar estas palavras. São suficientemente eloquentes. Apenas gostaria de referir a injustiça a que os nossos governantes são sujeitos quando se diz que não têm feito cortes. A entrevista decorreu num gabinete de um edifício antigo e praticamente às escuras. Que bela imagem de modernidade que deu, sim senhores.

terça-feira, 1 de março de 2011

Prós e Contras - Geração Parva

Ontem o programa "Prós e Contras" foi dedicado ao assunto da Geração Parva. Como o sono tem prioridade, só hoje vi em podcast o mesmo. Bem espremido, aquilo não deu muito, aliás como é apanágio do programa. Por defeito, foquei-me nas palavras de um dos convidados, o director da Nova School of Business and Economics (Nova SBE, não confundir com nova BSE).

Quase no fim do programa enunciou três factores (de facto foram 4, mas o último considero que seja menor) que levam a esta precaridade dos jovens. Nada de novo ele disse, mas ao menos teve a grande vantagem de ter sido feito de forma clara, pausada e em sequência. Ideias para a resolução de cada um deles dá para fazer uns 100 Prós e Contras. Citando, foi mais ou menos isto:

"Eu acho que a situação que a juventude vive (....) não é um produto de falta de intervenção do Estado, mas é um produto de excesso de intervenção do Estado. Cito quatro aspectos do excesso de intervenção do Estado. Um é um mercado de trabalho extremamente anquilosado. (....) Segundo é um mercado de habitação para arrendamento que não existe, que dificulta a mobilidade regional dos jovens e que dificulta a saida dos jovens da casa dos pais. Não é razoável que a primeira casa tenha de ser comprada. Em todo o mundo a primeira casa é uma casa alugada. (....) Devem exigir a redução dos custos laborais que não são salariais, devem exigir a redução das contribuições das entidades patronais para a segurança social"  

Mas, praticamente no início, houve ali uma linha de raciocínio que sinceramente me escapou. Primeiro a citação, e depois algumas dúvidas:

"Não devemos entender que qualquer formação em qualquer escola nos deve dar direito ao exercício de uma profissão para a qual aparentemente estamos qualificados. Eu acho que os jovens têm de se habituar a desempenhar funções que não correspondem necessariamente à sua licenciatura. A licenciatura tem de ser encarada como uma formação genérica, como uma formação que nos dá aptidões para fazer várias coisas.  (....) Eu vivi uns anos nos EUA e os vendedores de carros tinham sempre um curso superior. Isto não é mau, a sociedade é melhor assim. Pessoas mais educadas tornam-nos todos mais produtivos, tornam uma sociedade mais agradável de se viver. O que não devemos é associar o facto de eu ter o curso A, na escola Z, a algum direito de exercer necessariamente alguma profissão nessa área. Porque ao fim e ao cabo, as pessoas escolhem os cursos com total liberdade, o Estado paga os cursos que as pessoas escolhem com a mesma generosidade. Não se pode é forçar as pessoas a empregarem as pessoas que de facto não têm as aptidões que o mercado requere."

Portanto, se eu percebo bem, o que ele advoga é que se ande a estudar 15 anos, para no fim se ter uma formação "genérica"?? E eu que pensava que alguém ao escolher medicina se estava a especializar numa área. E quem diz medicina, diz física, literatura inglesa, engenheiro agrónomo, etc. Qual a racionalidade económica de um Estado investir dinheiro em universidades, de modo a dar formação especializada aos estudantes, se depois eles (ou pelo menos a maioria) não forem trabalhar para essa área. Imagine-se por exemplo o desperdício que não seria se dos 180 ou 200 alunos que todos os anos entram para Economia na faculdade deste reitor (que aparentemente não tem problemas de empregabilidade, se bem que me dava jeito saber qual a mediana salarial), só uns 20 ou 30 acabem por de facto vir a trabalhar em funções relacionadas com Economia. Tendo os restantes de desempenhar funções em auditoras, na parte comercial de bancos, enfim, num contexto onde as curvas da procura e da oferta, assim como pontos de equilíbrio não são propriamente usadas no dia a dia. A mim palpita-me a um grande desperdício de recursos escassos, se no final de uma licenciatura ou mestrado, a pessoa não tenha oportunidade de trabalhar na área para a qual estudou. Se essa situação é persistente e recorrente, então que se acabe ou reduza drasticamente as vagas nesses cursos. Agora defender "formação genérica" ao nível do ensino superior soa-me ao eduquês da formação com base em competências.... 
Ps: Para vos poupar uma ida ao dicionário, anquilosado significa atrofiado.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Liberdade de expressão em plano inclinado

Ele há coincidências do ca....mandro. Após um programa do Plano Inclinado com a participação habitual do Medina Carreira e do Henrique Neto, na semana a seguir já o mesmo programa tinha sido suspenso para, nas palavras do sabujo de serviço, pensar sobre a estratégia para o programa. Mas sem prazos. Antes que o mesmo saia da net, aqui está o link do último programa. Sem mais nenhum comentário, deixo alguns extractos do que foi dito:

- Mário Crespo:  “Dr. Medina Carreira, o senhor e o Eng. Henrique Neto (…..) há muitos anos, com uma certa consistência, têm vindo a denunciar aspectos da incapacidade da nossa economia se sustentar…”
- Henrique Neto (sobre o Congresso das Exportações): “Fez-se mais um número em Santa Maria da Feira, organizado à pressa, telefonando às pessoas para lá irem e dizerem qualquer coisa (associações empresariais, empresários, funcionários públicos, etc) para parecer que o Governo está a fazer alguma coisa. Ora isto, que deveria ser um trabalho com resultados para a sociedade e para a economia portuguesa, acrescenta apenas mentira, acrescenta apenas desilusão….”

- Medina Carreira: “1995 foi o começo de uma desgraça que já há 10 anos se estava a tratar, porque nós fomos para um mundo aberto, e nunca fizemos NADA para preparar a economia para trabalhar em mundo aberto”
- Henrique Neto: “Os empresários têm perfeita consciência que se forem amigos do poder instituído, podem receber umas benesses, e algumas empresas que são conhecidas (….) quando precisam de capital vão à Caixa Geral de Depósitos que entra no capital das empresas, que lhes facilitem os créditos (….) e as outras que eventualmente queiram manter uma atitude mais distanciada do poder e se preocupem com aquilo que se devem preocupar (que é a sua competitividade interna e externa), pois podem sofrer penalizações e sofrem penalizações. Portanto, o clima de medo é verdadeiro.”

- Henrique Neto: “ Apercebi-me, quando estava na Assembleia da República, que havia mudanças de opinião (de colegas, deputados, de gente do partido) às vezes abruptas, que eram inexplicáveis: uma pessoa estava a defender uma coisa, e de repente passava a defender outra. Às vezes diziam-me a mim “fulano é incompetente e tal” e de repente escolhiam-no para isto ou para aquilo. Bom e depois comecei a verificar que isso se passava com pessoas que eu sabia que eram membros da Maçonaria”
- Medina Carreira: “ Eu desde rapaz que ouço falar da Maçonaria, dos seus males e dos seus bens. Essa gente, chame-se Maçonaria ou outra coisa qualquer, está lá instalada e tudo o que a gente diz aqui serve para amanhã ou depois algum deles porventura nos vir, “ olhem estes anjinhos, a pensar que a gente vai mudar alguma coisa. Patetas”. E andamos à décadas a tratar de patetices.”

- Henrique Neto: “ Eu considero que este Governo actual, do partido socialista, está a fazer tanto mal ao país (…) porque por um lado não sabe tomar as medidas correctivas, e por outro lado não tem credibilidade para as tomar. Que eu acho que é urgente que a situação política portuguesa mude. (….) Para que nós possamos debater de uma maneira mais livre e mais aberta quais são as soluções”
- Medina Carreira: “ A comunicação social tem, podemos aqui discuti-lo se vocês quiserem, tem uma quota de responsabilidade porque não pega em nenhum problema a sério e estudado. Um país precisa de perceber que com mais cinco anos, isto está estoirado”.

- Mário Crespo: “ Dr. Medina Carreira, é sempre uma aventura participar consigo em qualquer programa. Foi o Plano Inclinado, nós voltamos daqui a uma semana.”

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Intercâmbio profissional Portugal-Alemanha

Portugal não consegue/quer sair do buraco onde se meteu por si mesmo. É pois necessária ajuda externa. De onde virá essa ajuda? Pelos vistos agora virá da Alemanha. Portanto, como poderemos retribuir esse favor à Alemanha? Do que é que a Alemanha precisa de um país como Portugal??...Uhm.....Engenheiros!! A Alemanha precisa de engenheiros. Sugiro então que se proponha um intercâmbio profissional por uns 4 anos: Portugal prescinde do seu melhor engenheiro e em troca a Alemanha empresta-nos alguém. Já estou a imaginar o anúncio:

- " Oferece-se para intercâmbio Engenheiro Técnico Civil português com forte apetência por desenvolvimento de negócio em diversas áreas (laptops para catraios, ventoinhas, obras públicas faraónicas, carros movidos a pilhas), assim como larga experiência em licenciamentos difíceis. Altamente resiliente, confiante, decidido e com dupla personalidade. Larga rede de contactos a nível internacional, especialmente no nicho de mercado das ditaduras".

"Pretende-se alemão (qualquer um) que saiba que as despesas têm de ser inferiores às receitas, que não aceite prendas de empresas, que seja capaz de cumprir prazos, planear e controlar custos. Acima de tudo, que nunca tenha lidado com portugueses durante mais do que 5 minutos na sua vida, dando-se preferência a chauvinistas que achem que os portugueses são apenas uma variação genética dos povos do Magrebe". 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

RTP - Um exemplo a seguir sobre a questão das escolhas

Ontem pelas 21.30h foi possível assistir nos canais públicos de televisão algo que para muitos será um hino à estupidez e ao desperdício. Na RTP1 deu o programa “Portugueses pelo Mundo”, um programa que tenta dar a conhecer várias cidades por esse mundo fora segundo a perspectiva de portugueses que lá se encontram a viver. Na RTP2 dava o programa “Endereço Desconhecido”, cujo objectivo é mostrar um pouco dos últimos países a aderirem à União Europeia. A ignorância leva a pensar que não faz sentido nenhum que dois programas que têm basicamente o mesmo público-alvo, com conteúdo muito semelhante, concorram dentro do mesmo grupo de media.

Felizmente para mim, compreendi a visão do mamífero que é responsável pela programação da RTP. O dito quer forçar as pessoas a fazerem escolhas. Assim, não ficarei surpreendido se o Telejornal passar a dar no mesmo horário do Jornal 2. Ou ter uma missa dominical no Cacém e outra em Gondomar em cada canal. Ou mesmo uma entrevista com o Pinto de Sousa ao mesmo tempo de outra com o Pedro Passos. Para os mesmos públicos, a RTP quer oferecer soluções em simultâneo! E também, para quê tentar alargar o share, quando se tem uma situação financeira consistente e continuada como aquela que a empresa tem???

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A geração parva

E de repente a Deolinda canta uma canção sobre a precariedade da vida da maioria dos jovens portugueses em Portugal, e parece que estão a dar uma grande novidade. Este conceito do mileurista (que em Portugal é mais o 500-600 eurista a recibos verdes) já é falado faz muito tempo nos outros países europeus em situação similar. Quiçá pelos ventos do Atlântico, por cá teve e tem dificuldade em ser expressado. Pese embora já tenha escrito sobre isto aqui ou aqui, é um assunto que merece ser abordado até à exaustão.

O que é verdade é que esta geração tem ao seu alcance todas as ferramentas para poder ser um factor de mudança para o país……mas não as usa. E não as usa porquê? Como se viu noutros países da bacia do mediterrâneo, os jovens conseguiram ser um dínamo. Bolas, será que os nossos jovens são mais fracos do que os da Argélia e Egipto? A minha resposta, é que sim, são.

Como diz o povo e bem, a fome e o frio metem a lebre ao caminho. E a verdade é que ser jovem num país do Magrebe deve ser uma grande merda. Para começar vêm os seus pais ganharem uma miséria pelo seu trabalho. Mesmo aqueles que decidem/podem estudar na Universidade, não encontram no mercado de trabalho oportunidades condizentes com a sua formação. Passa pela cabeça de algum português que em Portugal haja um Engenheiro a vender frutas numa banca de rua para sustentar a sua família??? A sociedade onde estão inseridos é extremamente conservadora, e devido à proximidade com a Europa e graças à internet sabem perfeitamente que a sua vida podia ser bem diferente acaso tivessem nascido umas centenas de km mais acima. Mobilidade geográfica fora do seu país só é possível para as elites. Liberdade de expressão é mentira (bom, aqui por Portugal o panorama também não é grande coisa). Ou seja, sobram razões para que estejam deveras descontentes.

Em Portugal o que temos? A maioria dos pais até ganha um salário (ou reforma) que dá para um vida razoavelmente confortável. São muitos aqueles que aos 18 anos recebem dos pais o carrito para irem para a Universidade para que coitadinhos não tenham de andar de transportes públicos. Estudar e trabalhar ao mesmo tempo é visto com maus olhos pela sociedade, por isso o jovem estudante tem todo o “paitrocínio” atrás dele, para que coitadinho não tenha de trabalhar enquanto anda na universidade. Quando acaba a universidade e se acaso não consegue arranjar trabalho, muitos pais suportam a vida do filhote para que ele coitadinho não tenha de ir fazer um trabalho mais chato como trabalhar num restaurante ou num bar para ter dinheiro pois isso daria falatório na vizinhança. E por aí fora. Ou seja, esta sociedade protectora para com os mais jovens, ao invés de os ajudar, só os atrofia e torna-os cada vez mais dependentes, comodistas, conformistas e domesticados. E aqueles que não se conformam por estarem mal, simplesmente podem sair para a UE à procura de melhores oportunidades (liberdade essa que os magrebinos não têm). Por isso e muito mais, os nossos jovens são definitivamente mais fracos que os argelinos ou egípcios, porque feliz ou infelizmente não passam pelas dificuldades deles. Mas é exactamente viver no meio dessas dificuldades que lhes dá motivação para lutar, ao passo que na nossa bolha protectora impera a mentalidade do “amanhã pode ser que seja melhor, não te enerves que os pais vão-te ajudando enquanto poderem” que é castradora de uma maior motivação para a mudança.  

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Como ficar nas boas graças dos chineses?

É ponto assente que a China terá um papel cada vez relevante na economia portuguesa, sendo que os nossos caixeiros-viajantes de serviço apostam nesse país para vender dívida pública. Facilmente se imagina que os argumentos usados passam pelo passado histórico entre Portugal e China, a estabilidade que Portugal tem por estar na União Europeia, e por aí fora. Assim só faremos maus negócios. Há que ir por outros caminhos, menos racionais e mais emocionais. E qual é uma das coisas que mais emociona um chinês? O jogo.

A minha ideia passa portanto por disponibilizar a investidores chineses a possibilidade de criarem um réplica de Macau em Portugal (para quem não saiba Macau ultrapassa em receitas de jogo Las Vegas). Isso sim, deixaria os chineses de olhos em bico! A localização óbvia para criar uma cidade do jogo é naturalmente Beja. Espaço não falta, tem um aeroporto, uma barragem grande perto, um clima soalheiro, bastantes comunistas. Só vantagens.

Os mais atentos devem já estar a pensar: “Balelas. Em Saragoza também há um plano para fazer uma megacidade de jogo chamado Gran Scala – 32 casinos, 70 hoteis – e aquilo ainda está em águas de bacalhau”. Está sim senhor, e nem vai arrancar. Ao que consta, o projecto é de um grupo de investidores meio obscuros, tendo inclusive um gestor sido preso pelo assassinato da sua esposa. E nos tempos que correm, sejamos claros, não existem na Europa muitas pessoas com capacidade de angariar os fundos necessários para este investimento.

Dando a investidores chineses a possibilidade de terem uma mega-concessão de jogo em Portugal, ficaríamos muito bem vistos aos seus olhos. O impacto na nossa economia só poderia ser positivo. Eventualmente até poderíamos finalmente vir a ter uma Chinatown (qualquer país decente tem uma e nós nicles). Obstáculos: lobbie das concessões actuais de casinos em Portugal; a ICAR; ou os carecas das Quercus contra abate de sobreiros e perda de habitat do cágado-almiscarado pigmeu. Ah, e o maior de todos, a falta de visão por parte do nosso Governo. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os apelos à compreensão...

..que os alemães deveriam ter para com a actual situação difícil de Portugal (e remanescentes PIIGS) levam a que se recorram a argumentos como aquele que ontem ouvi por volta do jantar na televisão. Como está agora na moda dizer, estes apelos "cheiram" a manobras de diversão.

Do que eu consegui entender das palavras do erudito comentador, assim como a União Europeia foi tolerante na altura para com os défices públicos que Alemanha (RFA) teve com a reunificação com a ex-RDA, também agora a Alemanha deveria ser mais compreensiva para países como Portugal.

Ou seja, deveremos colocar no mesmo patamar algo como a reunificação de dois países (um deles vindo de um regime comunista) e um país que apesar de todos os subsídios recebidos, ter acesso a taxas de juro baixíssimas, etc, etc, teve (e tem) as suas contas públicas governadas de maneira criminosa. No mínimo é uma comparação que eu nunca consideraria. Mas sei que optando por outros caminhos relativos a honestidade intelectual, é uma comparação possível de ser feita. E foi feita. Até porque a maioria da sua audiência absorve de forma acéfala o que esta espécie de conversa em família (versão sec XXI) lhes proporciona.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais uma voltinha, desta vez de um Ministro da Estónia

Portugal começa a ser cada vez mais como que a “bicicleta da escola”. Neste caso toda a gente parece dar uma voltinha no que à crítica da nossa (des)economia diz respeito. Desta vez a vez coube à Estónia. Podia fazer comentário pejorativos quanto ao facto da Estónia ser uma ainda recente ex-república da união soviética, ou a sua capital (Tallin) atrair pazadas de finlandeses sedentos de bebedeira a custos mais controlados durante o fim de semana. De ter um salário mínimo de 280 Eur. Ou de ser um país com tanta população como os votantes no Alegre e no Nobre. Não o farei.

Como é habitual, nada do que foi dito (pelo ministro das Finanças chamado Ligi) constitui crítica injusta e falsa. Ritmo de consolidação orçamental demasiado lento, os esforços são excessivamente moderados e porque insuficientes necessitam de ser reforçados no curto prazo, ou que ajuda externa não paga dívidas. À bruta ou muito à bruta, o homem lá parece ter conseguido que o défice orçamental seja menor que 3% do PIB e dívida pública hiper-baixa.

Assim, acho que o sénior que gosta do I-pad tem muito a aprender com ele. Até uma criança de 5 anos percebe que para consolidar as contas é preciso que despesas sejam inferiores às receitas. Superiores em 7% (incluindo artifícios financeiros) é um belo exemplo do oposto. Mas em Portugal os paineleiros e/ou “gurus” da nossa economia dos últimos 25 anos distraem a plebe falando só sobre fundo de estabilização, o papel messiânico do FMI ou se devemos ou não sair do Euro.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Rui Unas sobre o PM

Rui Unas, ou se quisermos, o Jon Stewart da Amora interpreta uma canção sugestivamente intitulada "Eu sou o PM". Uma vez que liquidaram o Contra-Informação da televisão, onde ocasionalmente eram feitas canções satíricas, sauda-se esta forma de falar sobre política para uma audiência mais jovem. O vídeoclip é este, e abaixo está a letra. E a ver se deixamos de ser tantos a estar sentados enquanto vemos Portugal a arder!

domingo, 30 de janeiro de 2011

A educação do Parlamento Português

Ver ou somente ouvir debates da Assembleia da República Portuguesa é algo profundamente doloroso. Não pela falta de ideias, projectos ou visão séria e sustentada, dado que a sua ausência já tomo como dado adquirido. Mas ao menos que sejam capazes de cumprir os mínimos. E para mim, um dos mínimos que não é cumprido é a questão da educação que a instituição merece daqueles que lá falam.

Quando os assuntos são mais quentes, é raríssimo que as intervenções não sejam acompanhadas por apupos, urros, uivos, discussões paralelas. Isto já para não falar dos casos recentes mais tristes como sejam um Ministro a fazer "corninhos", deputado a chamar palhaço ao Primeiro Ministro (tendo eu dúvidas quem ele deveras ofendeu), deputado a "mandar para o falo" outro deputado, presidente da Assembleia da República a fazer trocadilhos com evacuar ou curioso por causa do artigo 69, etc, etc...

Já que efectivamente aquilo mais parece uma caserna, sugiro que se implemente um sistema de multas pecuniárias. De cada vez que um deputado desse um urro durante a intervenção de outrem, 10 € de multa para o "frasquinho". Trocar discussões paralelas entre bancadas durante uma intervenção, 100 € de multa. Linguagem de carroceiro nas discussões (como sugerir a um deputado que se está a doer que ponha manteiga), 250€ de multa. Sendo que este dinheiro reverteria para acções de solidariedade e bastariam uns 3 ou 4 estagiários para monitorizar o comportamento dos 230 meninos e meninas.

Por curiosidade, coloco aqui três links de discussões parlamentares quentes em três países europeus distintos: Portugal, Dinamarca e Ucrânia. Cada um afira por si sobre qual o país de que estamos mais próximos. 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Não há prendas grátis

Almoços grátis, ou neste caso, prendas grátis é algo que não existe. Mas nestes últimos dias tem-se assistido a um desfilar de opiniões em sentido contrário. Altos intervenientes políticos portugueses têm dito que receber prendas é algo normal e que não minora em nada a honestidade de quem recebe por causa disso. Nada disto constitui surpresa relativamente à maneira de pensar e de agir de quem emitiu estas opiniões. Todos nós sabemos qual a sua perspectiva de ética.

Surpreendente é assumir publicamente a posição, em frente a um tribunal, de que é normal e aceitável que se recebam prendas de clientes ou fornecedores. Quer sejam robalos, galinhas, garrafas de vinhos raros ou relógios suíços. Mas é notória a preocupação que todos revelam em aceitar as prendas de modo a não serem percebidos como rudes. Maior mesmo do que a preocupação de poderem ser apercebidos como pessoas passíveis de serem influenciadas (leia-se compradas). A questão que eu coloco é a seguinte: quem aceita um relógio suíço ou um vinho raro como prenda, onde traça a linha sobre o que não aceita? Porque todos nós sabemos que prendas deste valor não se oferecem….trocam-se. Uma empresa tem por objectivo o lucro, logo para uma empresa dar prendas a pessoas influentes não pode ser uma oferta, mas antes um investimento.

Lembro-me perfeitamente de no meu primeiro trabalho, numa multinacional de serviços financeiros, terem enfatizado inúmeras vezes a impossibilidade de nós como funcionários aceitarmos prendas da parte de clientes. No máximo, poder-se-iam aceitar brindes como canetas baratas, um porta-chaves, enfim, merchandising de muito baixo valor (no máximo dos máximos no valor de 50 Eur). Todavia acredito que para muitos seja extremamente complicado dizer a alguém: “agradeço o gesto, mas não posso aceitar a sua oferta”. Mas é compreensível…..para um grego, ou um italiano, ou um sul americano. Povos mais cautelosos como os do Centro e Norte da Europa não acreditam que haja quem ofereça algo a alguém no valor de digamos 500Eur sem esperar nada em troca. O que é normal é “dar e receber”, não “receber por cortesia”.

Ps: Para quem viva no mundo da lua e não saiba do que se está a falar, pode ver estas "palestras" sobre o acto socialmente aceite de receber prendas de parceiros de negócios aqui, ou aqui.