segunda-feira, 5 de março de 2018

Chega de publicidade violenta a telenovelas em horário nobre!

Cópia da reclamação que acabei de fazer na Entidade Reguladora da Comunicação Social contra a publicidade a telenovelas cheia de violência que passa a qualquer hora nas televisões generalistas:
"Todos os dias, em todos os horários, somos confrontados com publicidade a telenovelas. Essa publicidade, repleta de cenas com armas, feridos, mortes, agressões, gritos e todo o tipo de violência) encontra adultos mas também crianças e pessoas sensíveis. Essa publicidade é, a meu ver,deplorável pelo horário, pelo conteúdo e pela ausência de preaviso que pudesse levar os pais a afastar as crianças da televisão ou a mudarem de canal. Que as novelas estejam repletas de violência, esse problema é com quem as autoriza e vê. Mas trazer essa violência para o horário nobre onde crianças são espectadoras, isso já me parece um grave problema em que a ERC deveria intervir e impedir.
Antecipadamente grato pela vossa intervenção!
Nuno Vaz da Silva"

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Verdades absolutas na política – um problema democrático


Temos vindo a assistir a um perigoso extremar de posições na política, num decalque daquilo que acontece no futebol:

“O meu clube/partido é bom e o teu é mau, o meu presidente pode dizer tudo que continua a ser um santo mas se o teu abrir a boca é um malvado!”

Esta postura revela uma falta de sentido democrático dos cidadãos e de quem os instiga a adoptarem esse tipo de comportamentos. As perseguições aos sistemas de checks and balances podem ser normais em regimes autoritários que não convivem bem com opiniões contraditórias e com a troca de argumentos mas devem ser combatidas em regimes que se dizem democráticos e em instituições que se querem plurais.

Se alguém critica as declarações de um líder politico da esquerda, logo é acusado de fascizoide ou de pafiano. Se alguém tem similar comportamento com declarações provenientes da direita, ou é comuna ou tachista da esquerda.

Mas pior do que esta critica gratuita e vazia de conteúdo, é o esvaziamento do contraditório dentro dos próprios partidos. Não bastava que os críticos fossem afastados pelas lideranças políticas da distribuição de lugares, agora até são silenciados pelo pelotão de fuzilamento de carácter das jotas, sempre ávidas por sangue na defesa cega do líder que defendem, independentemente das baboseiras que por ele sejam defendidas.

Ora, para alterar esta onda de definhamento democrático, seria necessário que os líderes dessem o exemplo mas isso não chega. Teria de haver um conjunto de personalidades dentro dos partidos que estivessem sensíveis a este tema e que aceitassem o risco de perder os seus próprios benefícios em contrapartida de deixarem uma marca para o futuro. É que falar em plurarismo, democracia e salutar troca de argumentos é sempre espectacular e traz muitos votos mas aplicar isso no quotidiano é mais raro, difícil e ameaça o status quo de tão “nobres políticos”.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bifanas, Minis e Farturas! Chegou a campanha/circo do colesterol


As eleições autárquicas são o último reduto dos festivais circenses. Temos domadores de leões, encantadores de cobras, trapezistas, equilibristas e até ilusionistas. Todas as artes circenses estão representadas por esse país fora e animam as hostes públicas que não pagam bilhete mas suportam campanhas e (no caso dos vencedores) salários para os vencedores e seus correlegionários.

Vai ser assim até Outubro. Vamos ter um país ocupado na troca de acusações pessoais, na construção de intrigas sobre as candidaturas alheias e na tentativa de sedução de cidadãos para integrarem as mais variadas listas. Também vamos ter música roufenha a ecoar por essas ruas fora em megafones e muita gordura ingerida em todas as romarias repletas de candidatos interessados em mostrar-se ou simplesmente dar-se a conhecer.

A verdadeira campanha eleitoral não é a que ocorre nas grandes metrópoles mas sim nos pequenos municípios e freguesias nas quais não se discutem argumentos nem políticas mas sim candidatos e a quantidade de beijos distribuídos. Nessas pequenas autarquias, a campanha eleitoral é uma espécie de surto infecioso transitório que transforma cidadãos discretos em candidatos extrovertidos, políticos distantes em amigos do peito e pessoas desconhecidas em eternos bairristas.
É neste circo que estamos a entrar e que culmina na data das eleições. Imediatamente após essa data os cidadãos discretos, voltarão a ser discretos, os inimigos políticos ficarão mais afastados ainda e dos desconhecidos perdedores ninguém se recordará mais. Obviamente que as romarias perderão receitas de bilheteira e diminuirá o número de bifanas vendidas. Já os valores do colesterol dificilmente retomarão aos níveis pré-eleitorais.

Enfim, no meio deste circo, talvez ainda haja espaço para alguma troca de argumentos, discussão de políticas e projectos de desenvolvimento sustentável. É que o circo pode ser útil para animar o pessoal e ajudar a vender jornais mas aquilo que dinamiza verdadeiramente as localidades é a frutuosa troca de ideias e de metodologias para as colocar em prática em prol do bem estar social.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Marcelo – a graça e a desgraça!


Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu arrastar por 12 meses o estado de graça pós eleitoral. Apareceu em todo o lado, beijou meio mundo e falou, falou, falou! Na entrevista de ontem, assumiu-se como porta voz dos poderes políticos, uma espécie de presidente-sol que não é, com poderes que manifestamente não tem.

Para António Costa, este é, até ao momento, o melhor presidente que poderia ambicionar. Quando a oposição marca posição, Marcelo vem a público fazer de escudo protector, quando os governantes cometem erros e gaffes, Marcelo responde à comunicação social e conforta o Governo, quando os números aparecem, Marcelo apressa-se a gabá-los e a justificar o que não está bem!

A presidência de Marcelo está a ser aquilo que se previa! O melhor amigo de António Costa, o pior Presidente da República para o partido que o ajudou a eleger.

A entrevista de ontem mostrou um Marcelo que nunca deixou de ser comentador mas com vontade de tocar todos os instrumentos da orquestra e ainda fazer de maestro de si próprio. Em Portugal o Presidente não governa mas Marcelo arrisca ficar aprisionado pelo cálculo político de António Costa que deixa o Presidente pensar que tem poderes que não tem, mostrar-se quando não deve e, mais tarde (e nessa parte Marcelo ainda não percebeu), sofrer as consequências do que não correr bem!

Marcelo quis ser ele próprio e fez bem! Mas não pode ser o comentador de tudo e presidente do nada nem o porta voz das políticas do Governo! Poder até pode, mas isso vai-lhe sair muito caro, enquanto o Governo agradece aos céus a convivência com alguém que dá uma face para qualquer graça sem perceber que irá ter de dar a outra para a desgraça!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A minha democracia é melhor do que a tua


A vitória de Trump nas recentes eleições americanas, veio retomar a discussão sobre os regimes políticos, sobre a mensagem política e sobre as estratégias de sedução social utilizadas pelos partidos e seus líderes. Faz sentido haver colégio eleitoral ou todos os votos deviam ter o mesmo valor optando por uma eleição totalmente directa? Os eleitores votam em função da mensagem que os candidatos transmitem ou votam por emoções? Qual o valor de informações colaterais (positivas ou negativas) podem ter na escolha do eleito?

Estas perguntas não são usuais após todas as eleições. Elas apenas surgem porque as elites parecem ter sido surpreendidas pelo resultado eleitoral. E esse é um dos problemas da democracia. Se a democracia corresponde às nossas ambições, é um regime político espectacular. Se, pelo contrário, o voto da maioria é diferente do nosso, então, vamos apressar-nos a equacionar o regime político e a reestruturar o sistema político.

A democracia clássica era o governo do povo, onde a maioria escolhia os líderes. Mas a democracia contemporânea, à luz das elites devia ser uma espécie de oligarquia, ou então uma democracia das boas ideias, sendo estas uma escolha dos mais letrados, dos mais viajados ou dos mais mediáticos.


É interessante divagar sobre estes temas porque não sabemos o que vai ser da democracia daqui a 50 anos. Com a evolução tecnológica e a revolução das redes sociais, o mundo está a evoluir mais depressa do que evoluem os conceitos clássicos. Se não pensarmos sobre estes temas, arriscamos-nos a ser vencidos por uma determinada corrente de opinião dos pseudoletrados. 

A vitória de Trump pode ter múltiplas interpretações mas aquilo que sobressai é a forma como um discurso errático, anti-sistema e protecionista conseguiu seduzir milhões de eleitores seja como voto de protesto ou voto de paixão. Como todas as escolhas, a opção eleitoral decorre do passado, do contexto do presente e das expectativas para o futuro. Se Trump deu mais garantias dessas vertentes do que Hilary, é preferível que as elites reflictam sobre os motivos do que especulem sobre as consequências! Criticar Trump é atacar os milhões de eleitores mas não mergulhar nas causas é potenciar novos Trumps e, principalmente, não dinamizar alternativas sólidas e credíveis às Hillarys espalhadas pelo mundo. E, convenhamos, Trump só ganhou porque a alternativa “não era grande espingarda”!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Os próximos 10 anos do Alto Alentejo


Quando se atinge uma marca como esta, 10 anos de existência, tendemos a ser revivalistas, olhar para o passado e lembrarmo-nos onde estávamos, o que fizemos, como evoluiu a sociedade, os amigos que perdemos e aqueles que conhecemos. Mas 10 anos são apenas uma etapa de um percurso que se deseja longo e bem sucedido.

Como muitos aproveitarão esta edição especial para falar do passado, eu escolho olhar para o futuro.
Nos próximos 10 anos o Alto Alentejo (refiro-me à região), terá vários desafios:
1- desenvolvimento económico;
2- atracção de população residente;
3- comunicação;

No primeiro ponto, refiro-me ao desenvolvimento económico assente na atração de investimento externo e ao investimento dos alentejanos na sua região. A economia vive não só dos grandes projectos mas também dos pequenos negócios de todos os sectores, que empregam pessoas, oferecem serviços e respondem a necessidades das populações.

No segundo item, considero que uma região que não atrai pessoas está condenada ao definhamento. As pessoas mudam de residência por causa dos empregos, da família e das condições que essa nova terra tem para oferecer (escolas, saúde, actividades sociais, segurança, projecto de vida). Se os municipios não apostarem nos factores que atraem residentes, o Alentejo continuará a perder população e a comprometer a sustentabilidade do seu futuro.

Em terceiro lugar, a comunicação é absolutamente fundamental para o sucesso da região. Não conheço região onde se coma melhor, que tenha melhor vinho e melhor água, onde o ar puro seja tão puro e onde se receba melhor quem vem de fora. Mas se não houver um plano de comunicação intermunicipal devidamente coordenado e integrado, vamos continuar a ter cada concelho a puxar a braza à sua sardinha e estaremos a perder sinergias que poderiam atrair mais visitantes, mais residentes e mais investimentos.

Com a actual situação do país em termos economico-financeiros, não se prevêem grandes obras públicas, não se perspectivam apostas no desenvolvimento regional e não haverá muita preocupação em dedicar atenção a uma região que elege poucos deputados. Assim, nos próximos 10 anos, terão de ser os alentejanos a puxar pelo Alentejo! E isso sabemos nós fazer muito bem!
Parabéns ao Jornal Alto Alentejo e daqui a 10 anos cá estaremos, assim o espero, para ver o que aconteceu!


Artigo publicado na edição especial comemorativa do 10º aniversário do Jornal Alto Alentejo, em 02/11/2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Tempo a mais no avião: o Orçamento de Estado ( OE 2017 )

Tempo a mais no avião: o Orçamento de Estado ( OE 2017 )

A ler o semanário Expresso no avião até Zurique fez-me pensar que, tal como eu, a maioria não sabe distinguir a direita da esquerda. Ideologias à parte, para os que não sabem não sei efectivamente distinguir a direita da esquerda...

O nosso ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou que este era um Orçamento de esquerda. Parece-me que o avaliou ao contrário. 
Com a informação que tenho disponível, este é um Orçamento de direita e, creio profundamente, que a própria direita não teria coragem de fazer. 

E sabendo que o OE para 2016 falhou, porque perdi tempo a analisar o orçamento para 2017? 

Porquê? 
Porque a estratégia é a mesma: reduzir ligeiramente os impostos directos ao mesmo tempo que se aumentam os indirectos. O rendimento disponível será maior, mas serve para menos. Podemos chamar-lhe o que quisermos, mas não passa de ilusão.

No final de contas, o Governo não só assume o enorme aumento de impostos de Vítor Gaspar, que não reverteu, como cria outros, como o 'fat tax' e novos impostos sobre o imobiliário. 

A necessidade urgente e constante de receita ( não reduzindo a despesa, como sempre ) vai levar o Estado a punir os que poupam e os que, em liberdade, decidem o que comer e beber, se fazem ou não desporto e que cuidados têm com a sua saúde.

Sem surpresa, o OE 2017 caracteriza-se por aumento da carga fiscal e maior presença do Estado na economia, justificados algures entre a ideologia e a necessidade de arrecadar mais impostos. 

1.
A primeira constatação é que os compromissos que o Governo assumiu com os seus parceiros à Esquerda, em grandes temáticas como a reversão dos cortes salariais, obrigaram a um aumento da tributação indirecta, parece que dói menos mas está lá, e à criação de um novo imposto sobre o património que dói logo à partida. 

2.
A segunda constatação e minha preocupação é que Portugal só conseguirá voltar a crescer de forma real e sustentada se apostar verdadeiramente nas exportações e se conseguir estruturalmente captar investimento.

3.
A terceira constatação é a estratégia do Governo para limpar numa solução de mercado que permita a venda de carteiras de crédito malparado dos bancos a investidores internacionais, sem um desconto excessivamente elevado, e sem colocar as empresas portuguesas devedoras nas mãos de fundos gananciosos - que medo!; por outro lado, o OE2017 prevê a criação de instrumentos para facilitar a recapitalização das empresas.

Vejamos algumas medidas tipicamente de esquerda, no caso do fim do imposto de selo para casas acima de um milhão de euros. Na prática quem tiver uma casa com um valor superior aquele montante acaba por sair muito beneficiado, pois desce de 1% para 0,3%, ou seja, num cenário de 10 mil euros, passa para 3 mil euros. Uma prenda bem bonita a quem faz falta o dinheiro... e o Natal está à porta. 

Outra pergunta quase de Trivia, e que vale outro milhão de euros, é perceber como é que o Bloco e o PCP fazem um Orçamento em que os beneficiários são os agregados de maiores rendimentos. Agora já a caminho de um queijinho vermelho, e sobre a sobretaxa? É fácil concluir que o seu fim beneficia os cidadãos de maiores rendimentos. Basta pensar naquele pobre gestor que tem um rendimento bruto anual de meio milhão de euros (e não são assim tão poucos) que tinha uma sobretaxa de 3,5% e já sabe que em novembro do próximo ano ficará liberto dessa obrigação. E adiantamos que ainda bem porque fica com mais uns trocos que, concerteza, lhe fazem falta... e o Natal está à porta. 

E para finalizar, que é feito da reforma do IRC? O orçamento ignora este e outros temas.

Costa mantém uma meta ambiciosa para o défice do próximo ano: 1,6% do PIB. O objetivo é agradar a Bruxelas mesmo que ninguém acredite no feito. Cá estaremos para ver! 

domingo, 18 de setembro de 2016

Pouco conteúdo e muita forma! Muito sensionalismo, interesse nulo!

O que fica da política dos últimos tempos é a "narrativa" (José Socrates) o "desvio colossal" (Vitor Gaspar), a "geringonça" (Paulo Portas), os "pafiosos" (claque do PS, PCP e BE), os "caçadores de diabos e pokemons "(António Costa), a "lavandaria do Governo" (João Almeida)…
Nisto a que chamam de política escasseiam as propostas e o debate construtivo e excedem-se os pregões, muito úteis para rodapés de noticiários mas completamente dispensáveis para a vida dos portugueses. O nível actual da política compete com a linguagem de reality shows televisivos. Pouco conteúdo e muita forma! Muito sensionalismo, interesse nulo!
Mas, se realmente tem assim tão pouco interesse, porque motivo continuam os políticos nesta cruzada de definhamento da classe? Porque não elevam o nível do debate para o campo das propostas, dos projectos, dos argumentos?


Alguns não o farão por manifesta incapacidade mas outros estarão apenas reféns da cultura política. Após anos e anos de debates vazios, acusações múltiplas e desconstruções de argumentos através da critica infundada ou através de falsidades grosseiras mas mediaticamente apelativas, é natural que os políticos prefiram o sucesso imediato ( entenda-se aparecer no primeiro noticiário do dia) do que o eventual sucesso futuro de que dependem tantos factores como as amizades dentro do partido, o apoio dos seus pares, o voto do povo e tantos outros.

Resumindo, a política da filosofia deu lugar à política de brejeirice e do insulto. E como tenho a ideia que no fim do dia são todos amigos e vão à bola juntos (pagos por um qualquer grupo de interesse), parece-me haver uma notável falta de carácter na política. E ainda se pergunta porque não atrai a política mais e melhores pessoas…como se alguém não soubesse os motivos e como se os "carreiristas políticos" tivessem interesse em ter mais e melhores pessoas na política!