quinta-feira, 26 de julho de 2012

Partido governado, cala-se o filiado!


Um dos graves problemas da nossa sociedade diz respeito à autolimitação da crítica por parte dos filiados em partidos políticos.

Dando um exemplo concreto, antes das últimas eleições legislativas, muitos filiados no PSD criticaram, apontaram o dedo e desmontaram argumentos face a políticas socialistas que, a seu ver, tinham sido desastrosas para a sociedade portuguesa. Falou-se de deficit orçamental mas referiam-se outros assuntos como as novas oportunidades, as ingerências externas nas decisões internas, os favorecimentos ilícitos, a falta de meritocracia e os problemas na justiça (isto para dar apenas alguns exemplos). Nessa fase, em contraponto, os filiados no partido então no poder, o PS, optaram pelo silêncio, sem apontar criticas nem dar sugestões de melhoria às políticas tomadas.
Passados alguns meses sobre a tomada de posse do novo governo, as criticas que eram efetuadas por membros do PSD deram lugar a criticas feitas por membros do PS, independentemente de estarmos a falar dos mesmos problemas! (?!?!?!?!?!)

Isto acontece não por imposição politica mas por uma autorregulação que impele os indivíduos a serem críticos apenas quando o seu partido não está no poder. Provavelmente, essa regulação interior depende de uma certa lógica de favorecimento, por parte das cúpulas partidárias, apenas dos filiados que não critiquem o líder nem as suas posições, ainda que possam estar erradas e serem altamente penalizadoras para a sociedade.
Se em termos partidários esta forma de militância pode ter justificação, quando extrapolamos conclusões para a restante sociedade, a apreciação deste comportamento errático é quase irracional. Senão vejamos: Como justificar que o individuo A, eleito por um conjunto de eleitores Y, vota decisões a desfavor desses mesmos eleitores, só porque um qualquer líder partidário B tem uma motivação diferente? Complicado? (Para mim também o é!)

Utilizando o artigo "Que se lixem as eleições" do Paulo Santos Monteiro como analogia, se o próprio 1º Ministro sente necessidade de afirmar que governa para os portugueses e não para as eleições embora sejam eles (os portugueses) que o elegeram, imaginem os autarcas, deputados e filiados partidários colocados em cargos de poder.

Há quem diga que os círculos uninominais melhorarão, um dia, este comportamento mas melhor do que essa medida, seria acabar com as barreiras à entrada que impedem o acesso de independentes a cargos políticos. Assim, talvez os eleitos percebessem quem lhes paga os salários e o que é a politica!

Vivemos num sistema de cultura democrática que não é eficiente e que favorece os políticos que têm pouca moral e, principalmente, pouca ética social!
Estarei enganado? Então porque se reservam ao silêncio os membros do partido que está no Governo (seja qual partido for)?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Que se lixem as eleições!

"Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal", esta foi a bombástica frase de Passos Coelho. Mas infelizmente, de bombástica não têm nada. Para defender os interesses de Portugal é que ele foi eleito! Bombástico mesmo seria se a Sra. Merkel, o Sr. Holande, o Sr. Rajoy e o Sr. Coelho proclamassem todos juntos e bem alto (para ver se o papão do mercado escuta e compreende) "Que se lixem as eleições, o que interessa é a Europa". Aí poderia ser que esta crise da zona euro iniciá-se a resolver-se!

Paulo S. Monteiro

(comentários bem vindos)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Devem as religiões influenciar a política?


As recentes declarações de elementos da igreja em Portugal sobre o comportamento supostamente pouco ético de alguns políticos e sobre a sua incapacidade em dar resposta ao problema das populações em geral e dos jovem em particular, veio reacender as polémicas antigas sobre a influência das religiões na politica. Devem os titulares de cargos religiosos influenciar a vida politica?

Não se trata de uma discussão sobre a participação ou não das religiões nos Estados mas sobretudo do uso da sua capacidade de influência para fazer lobby junto dos políticos e das populações. Sendo cidadãos de direito comum, os membros eclesiásticos têm todo o direito de expressar a sua opinião. Dizer que um determinado tipo de comportamento é digno e um outro é menos digno é até uma dedução lógica que poderão defender ao abrigo dos textos religiosos.

Mas, por que motivo tem havido tanto incómodo por este tipo de declarações?
Na minha opinião deve-se a dois grandes motivos:

O primeiro está relacionado com uma generalização das críticas e das acusações (nomeadamente corrupção) que, embora sejam comuns nas constatações populares, não podem ser replicados sem haver provas ou denuncias desses factos junto das autoridades. Nesse aspecto as declarações foram infelizes.

O segundo grande motivo de incómodo diz respeito à constatação de que a igreja, fruto da grave situação do país, resolveu iniciar a sua cruzada para influenciar politicas e apontar o dedo aos problemas sociais. Não sendo a igreja isenta de responsabilidades em problemas concretos, o que por vezes descredibiliza o valor e impacto das suas considerações, a sua capacidade de mobilização e de publicitação de mensagens por via dos órgãos de comunicação continua a ser muito grande.

Quando um elemento da igreja afirma que há problemas de corrupção com os políticos, que os políticos não são capazes de encontrar consensos para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos ou ainda que os políticos não têm soluções para os problemas dos jovens, independentemente de sermos praticantes desse credo, temos de reconhecer alguma pertinência nessas declarações (ouvimos idênticas declarações nos cafés, nos táxis, nas redes sociais ou nas manifestações.. ).
Mais do que uma critica direccionada são um lamento de quem se vê confrontado com um excessivo peso dos partidos, dos interesses pessoais e oligárquicos e um deficit de relevância da politica de facto (sendo esta a defesa dos interesses da sociedade e na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos).
Provavelmente o alcance das criticas da igreja vão mais além, ou seja, não são indiferentes a uma crescente influencia de organizações quase secretas na vida politica, nomeadamente a Maçonaria. Mas esse é um assunto ainda mais delicado…
Espanta-me por isso que, havendo uma grande diferença da interferência destes grupos na vida politica (Igreja e Maçonaria), estejam os políticos e o comentadores mais escandalizados por aquelas que foram feitas publicamente e que têm como objectivo declarado a melhoria da qualidade de vida da sociedade. É que, até ao momento não se suspeita da participação de membros da hierarquia religiosa no Governo nem da sua participação em cargos políticos para retirar dividendos pessoais. Com outro tipo de grupos já não podemos dizer o mesmo!

É assim difícil mas óbvio constatar que os políticos, a comunicação social e os comentadores gostam mais de cerrar fileiras a quem arrisca falar publicamente para defender populações do que apontar o dedo a quem penetra dentro das estruturas públicas para enriquecer ilicitamente! 


terça-feira, 17 de julho de 2012

As noticias não deviam ser subjectivas ... mas (ainda) são!

Inexplicavelmente, durante os blocos noticiosos desta manhã, dois órgãos de comunicação social tiveram apreciações contraditórias sobre a avaliação efectuada pelo Ministério das Finanças ao Programa de Ajustamento da Região da Madeira.
Enquanto a RTP 1 noticiou que o resultado da avaliação foi positivo, a Rádio Renascença afirmava que a Região Autónoma tinha chumbado essa primeira avaliação.
Não sendo a primeira vez que órgãos de comunicação têm diferentes interpretações de factos concretos, ao cidadão interessado por estas matérias importa evitar distorções dos intermediários e ir directamente à fonte da noticia, fazendo a sua própria análise dos dados avaliativos.
No entanto, seria importante que a respectiva autoridade reguladora estivesse atenta a esta subjectividade das noticias, pois são esses factores (mais do que os programas eleitorais) que fazem pender o voto nas eleições da era moderna!
Para quem quiser fazer a sua análise e decidir qual dos dois órgãos de comunicação terá falhado, aqui fica a fonte da noticia!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um curto comentário à miopia constitucional

A decisão de ontem do TC é ridícula. Só poderia ser feita por quem não vive no mundo real e não percebe nada de economia.

1. Dizer que os cortes aos Funcionários Públicos são inconstitucionais, seja porque razão for, é incoerente com a decisão de os deixar vigorar em 2012.

2. Basear essa inconstitucionalidade na equidade de tratamento é insultar os milhões de portugueses que não recebem os benefícios de ser funcionário público (desde não serem efectivamente avaliados, a terem um emprego basicamente garantido para a vida e com salários médios mais elevados).

3. Obrigar um Governo democraticamente eleito a mudar a sua estratégia governativa parece-me ir para além das funções do TC.

4. Uma directiva constitucional referente à limitação dos défices vai ser transcrita para a legislação portuguesa. Indirectamente estamos a colocar na constituição limites às despesas correntes do Estado. Esta decisão do TC, de não de se puder mexer nos RH do Estado (não se pode despedir, não se pode tirar benefícios, não se pode cortar salários), implica necessariamente cortar noutros direitos constitucionais - a meu ver - muito mais relevantes (acesso à Saúde, Educação, assistência social…), dado que não há dinheiro para tudo.


PS: Gostava de saber se um cidadão comum pode pedir uma revisão constitucional a todas as mordomias que um funcionário público aufere face aos funcionários privados. Pela mesma ordem de razão essa inequidade tem de acabar.

domingo, 1 de julho de 2012

O crescimento do lado da oferta


No passado dia 20 de Junho decorreu mais um Fim de Tarde na Ordem com Daniel Bessa, que abordou o tema “Crescer, sim; o problema é como.”.

Seguindo a abordagem do modelo keynesiano, a curto prazo faz sentido aumentar a despesa, estimulando o consumo. No caso de Portugal, e na actual situação do país, não é possível fazer crescer a economia pelo lado da despesa, porque não há financiamento. No entanto, esta via não está esgotada num contexto global europeu. Tem surgido esta ideia com as eleições em França e a mudança de opinião na Alemanha, onde se pensa que faria sentido aumentar a despesa e a inflação. Porém, Daniel Bessa não pensa que esse caminho seja viável e, por isso, prefere não contar com ele.

Para quem vende no mercado externo as quotas são próximas de zero, ou seja, o aumento da procura não é relevante. Temos de olhar para o lado da oferta, tornar os nossos produtos mais competitivos para ganhar quota de mercado, e apostar nas supply sales, onde empresas, empresários, tecnologia e meios de produção são as variáveis que estão em causa.

Será que o crescimento económico em Portugal é atingível através da austeridade e das reformas estruturais? Por um lado, a redução dos custos de trabalho só funcionou do lado do sector público e traduziu-se em encargos para a segurança social e aumento do IVA; por outro, as reformas estruturais só têm efeito no longo prazo.

Nas duas crises anteriores, 72 e 84, o problema ficou resolvido com a redução dos custos, mas será que agora funciona? Quanto teremos de reduzir os custos? E se em vez de baixar os custos tirássemos partido dos baixos custos que já temos?

A área em que somos baratos e temos vantagem competitiva é nos serviços, em que a concorrência é limitada. A indústria transformadora é cara, mas nos serviços quem viaja não é o produto, são as pessoas. Por exemplo, se comprar um bem na China, não mando vir um chinês para reparar o bem, porque o custo de transporte não compensa. Neste caso, os serviços em Portugal são mais baratos, comparando com outros países da Europa.

As áreas da saúde e da velhice, como pós-operatório e doentes terminais, vão tornar-se transaccionáveis no seio da União Europeia. Já houve empresas seguradoras europeias que vieram avaliar o mercado português, mas não encontraram oferta. Um dos ícones do país é a Madeira, mas existem outros, como uma unidade hospitalar em Vila do Conde, próxima do aeroporto, para este tipo de serviços.

A saúde nunca foi elegível para a atribuição de benefícios fiscais, porque não se olha para a saúde por esta via transaccionável, mas sim como orçamento do Estado.

Claro que existem outros serviços, nomeadamente back-office administrativos, contabilidade, etc. (exemplo da Siemens), e com as companhias aéreas de low cost é ainda mais fácil promover estes serviços de pós-venda no país.

É preciso apostar no desenvolvimento da oferta e na frente comercial externa, encontrando financiadores e clientes, e investir nesta nova economia, partilhando o risco.

O turismo de saúde é mais inovador que o turismo de lazer. Por exemplo, a Serra da Estrela tem pouca neve para ser um destino de neve, mas tem muito ar para ser um destino de cura para as doenças pulmonares. Não devemos deitar fora o que temos, mas devemos apostar em ideias inovadoras.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Greve dos ares" – terrorismo estratégico ou defesa dos direitos civis?


Em dia de meia-final do campeonato da Europa de Futebol, há muitos portugueses de olhos no ar a olhar para os ecrãs gigantes e para as televisões instaladas nos espaços públicos. Mas há mais ocorrências que do ar nos afectam directa e/ou indirectamente. Falo das greves nos transportes aéreos.

Portugal é um destino de eleição para o turismo na Europa. Tem bom tempo, cidadãos afáveis, preços competitivos e infraestruturas turísticas de qualidade. Não tem furacões, não tem problemas de terrorismo ou de extremismo, tem um sistema politico estável e gosta de receber os visitantes.
Temos muitas vantagens competitivas no sector do turismo que representam verdadeiras mais valias face aos mercados concorrentes.
Se em alguns mercados lutamos por conseguir obter vantagens competitivas, já em outros sectores de actividade, optamos por colocar em causa a estratégia de um país no seu sector mais competitivo. Quando os controladores de tráfego aéreo decidem marcar um período de greve, não estão apenas a reivindicar melhores e maiores salários nem melhores condições profissionais. Estão também a desbaratar dinheiro que o Estado investiu em campanhas publicitárias, a promover a diminuição do PIB, a ameaçar postos de trabalho no sector turístico e em todas as actividades que dele dependem e estão a promover mercados turísticos em outros países.

Terrorismo sindical dirão alguns, intransigente defesa dos interesses dos trabalhadores dirão outros. Não querendo opinar sobre estas duas justificações ambíguas, parece-me que deveria haver bom senso na marcação de greves, principalmente em datas e sectores estratégicos, assim como deveriam existir limites de dias anuais dentro dos quais os trabalhadores poderiam fazer greve. Da mesma forma, o Governo deveria intervir sempre que as greves ameaçassem esses mesmos sectores estratégicos, por via de requisição civil (mas essa requisição civil de nada serve se for efectuada na véspera do dia da greve, como alguns meios de comunicação especulam no caso da greve que se inicia a dia 29/6)!

Em sectores relevantes tem de haver sinais claros das intenções do Estado, revelando coragem e determinação em atingir os objectivos de desenvolvimento do país. Mas os sindicatos também deveriam avaliar o número de postos de trabalho que são postos em causa quando decidem agendar greves, principalmente em sectores que têm já condições salariais acima da média num país que tenta atrair turistas e investimentos mas que opta por lhe fechar portas através de “acções de luta sindicais” consecutivas!! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tendencialmente incontrolável e insustentável sem reformas...é a CRISE


Com milhares de europeus afastados da difícil realidade económica dos seus países por estarem anestesiados pelo europeu de futebol, a crise económica agudiza-se. A eleição de François Hollande parecia um marco importante para refrear o ímpeto de austeridade que a Alemanha tentava colocar nos países incumpridores. Desta forma, alguns analistas consideraram que era o prenúncio do fim da crise financeira/ orçamental na Europa.
No entanto, a realidade tem sido algo diferente. A Espanha “engoliu” o orgulho nacional e anunciou o pedido de resgate para o sector bancário, o Chipre pediu ajuda externa e Portugal pré-anunciou que ceteris paribus não conseguirá cumprir o deficit acordado com a Troika para 2012.
As crises são sempre incertas e num contexto global a dependência dos parceiros externos dita o sucesso ou o insucesso de uma politica reformista. Mas essa politica reformista tem de ser enquadrada numa estratégia interna de ganhos de eficiência e de modernização das estruturas da Administração Pública. E isso é algo que demora (ou tem demorado) a implementar…
Muitos comentadores insistem que o problema principal do país é o desemprego galopante, eterno problema das sociedades modernas. Mas muitos se esquecem que sem empresas não há emprego, e sem expectativas de crescimento não há empreendedores, e que com taxas de imposto muito elevadas não pode haver dinamização da economia.
Por isso, quando se falam em novas medidas de austeridade para colmatar o aparente desfasamento orçamental de 2.000.000.000 euros, dificilmente isso acontecerá sem aumento de impostos, sem aumento de taxas ou sem outros mecanismos de sucção do desenvolvimento social.
O problema do país, mais do que o desemprego, é o excessivo peso do Estado na sociedade com uma máquina administrativa desadequada. Aumentar o contributo que os cidadãos dão ao Estado só iria/irá desequilibrar ainda mais o pendulo da balança na insustentabilidade do Estado.
Lamentavelmente que não controlamos muito do que nos sucede com a crise económica na Europa nem com as más decisões de alguns lideres. Mas, no que diz respeito a Portugal, sem reforma da estrutura da Administração Pública, dificilmente mudaremos mentalidades e tardaremos a recuperar a dignidade enquanto país cumpridor!
Resta-nos fazer votos que a estratégia do Estado passe por essa reforma e que os nossos parceiros Europeus aliviem um pouco as condições impostas aos Estados resgatados, isto se o objectivo ainda é salvar a moeda única…

terça-feira, 12 de junho de 2012

Podemos exigir as mesmas condições do resgate espanhol?


Depois de conhecida a decisão de conceder uma ajuda financeira aos bancos espanhóis (o que já era expectável que ocorresse desde há algumas semanas), muitos economistas e consagrados políticos apressaram-se a pedir igualdade nas condições impostas a Portugal, nomeadamente em termos da taxa de juro e das medidas de austeridade (ou ausência das mesmas) para a população!
Este tipo de discurso, claramente populista, pode desencadear uma onda de apoio de uma franja da população menos esclarecida. Defender menos medidas de austeridade e reclamar uma descida da taxa de juro aplicada será aparentemente uma forma de defesa dos interesses dos portugueses que parece justa e legítima! Afinal de contas, ninguém gosta de pagar um preço mais elevado quando poderia pagar menos pelo mesmo bem (que neste caso se trata de dinheiro).
No entanto, as realidades portuguesas e espanholas não são equivalentes (o que se pode constatar pela análise de muitos indicadores, como dimensão do país, peso da economia, solvabilidade...). Os prémios de risco dos dois países são também eles distintos, assim como o timming do resgate. Facilitando a análise, será que emprestar um euro a Espanha tem hoje o mesmo risco do que emprestar esse mesmo euro a Portugal há 12 meses atrás? Para além disso, pelas noticias veiculadas pela comunicação social e pelo Governo espanhol, a ajuda destina-se a ajudar exclusivamente a recapitalização das instituições financeiras, enquanto que, para Portugal, a ajuda externa teve como objectivo evitar a bancarrota do Estado e, em segundo lugar apoiar também a recapitalização de algumas Instituições Financeiras.
Exigir que as condições sejam as mesmas, sem mais argumentos a nosso favor, parece portanto ser um discurso populista e pouco credível, ou seja, tudo aquilo que Portugal não necessita neste momento em que procura a estabilidade que renove a confiança dos investidores externos.
Todos queremos pagar o menos possível e ninguém gosta que as condições do vizinho sejam mais favoráveis do que as nossas. Mas (fazendo a analogia com o crédito à habitação), se o vizinho trabalha e ganha mais do que eu, se a sua casa está melhor situada e tem um valor de avaliação mais elevado, e se o seu risco de incumprimento é menor do que o meu, posso até reclamar um ajuste nas minhas condições financeiras (afinal de contas, pedir não custa…), mas resta-me trabalhar mais e ser mais competitivo do que ele para ser credível na minha exigência!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

“What can Portugal produce that the rest of the world wants to buy?”


 
“Made in Portugal: black loo roll and ‘royal’ shoes” -- Foi este o titulo da noticia publicada esta quarta feira no Financial Times sobre Portugal e novos mercados.

“What can Portugal produce that the rest of the world wants to buy?” ‘e certamente uma excelente abordagem para traçar novos investimentos e conquistar novos mercados lá fora.

A noticia que menciona alguns exemplos de sucesso da industria exportadora portuguesa refere-se não só ‘a qualidade dos nossos produtos, tais como os sapatos, mas também ao espírito inovador e criativo, tais como o papel higiénico preto da Renova. Mas não ‘e tudo, mencao e' tambem feita ao aumento das exportações (11.6%) e diminuição das importações (em 3.3%) no primeiro trimestre de 2012 comparativamente aos mesmos meses do ano anterior (de acordo com as estatísticas nacionais) e a’ consequente diminuição do ‘trade gap”.

Outro ponto importante referido na mesma noticia ‘e a conquista de novos mercados fora da Europa. A China surge como exemplo importante com um crescimento nas exportações de 76% em 2011. Finalmente, ponto interessante do director da Renova, a conquista de mercados externos já não ‘e tanto uma questão de preços mais baixos (pois competimos com quem consiga sempre produzir mais barato), mas sim uma questão de design e qualidade.

Boas noticias por Peter Wise (pois os jornalistas portugueses parecem estar mais ocupados ‘a procura de mas noticias).

Interessante nao acham? Porque nao aproveitar estas boas noticias para partilharmos aqui no blog outros exemplos de sucesso que conhecamos... ou ideas que tenhamos? 
Parece-me que andamos como os jornalistas, a dizer mal e mal e mal... Bom fim de semana! :)