sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E porque não acabar com o 1 de Maio?


A recente discussão sobre os feriados que deixarão de ser celebrados com pausa laboral, tem dividido muitos políticos e cidadãos comuns. O 5 de Outubro parece ser a data mais sensível para abolição do feriado. Mas haverá razões para isso? E, se existem tantos lamentos, porque não abdicamos do 1 de Maio? Não será a abolição do 1º de Dezembro mais difícil de justificar tendo em conta a simbologia do dia?
O 5 de Outubro não é apenas a data em que se celebra a proclamação da república. Foi também num 5 de Outubro (de 1143) que foi assinado o Tratado de Zamora que concedeu a independência de Portugal face a Castela, o que parecem ser motivos suficientes para que este seja um dia assinalado e comemorado. Ainda assim, poucos falam no duplo significado da efeméride, colocando a mudança de regime político à frente da independência.
Por outro lado, depois de ouvir alguns políticos criticarem o fim do feriado de 5 de Outubro e nada dizerem sobre o 1º de Dezembro, fico ainda mais preocupado. É verdade que 1640 foi muito antes do que 1910 mas não será a independência após uma ocupação externa um valor que merece mais comemorações do que a instauração da república?
Não deveria o bom senso e a escala de valores sociais determinar qual o feriado a eliminar? Até porque, sem independência, até poderíamos fazer parte de uma república…mas de um outro país! Se ainda assim não se chegar a entendimento, porque não se estuda a possibilidade de eliminar outros feriados em alternativa, como o 1º de Janeiro e/ou o 1º de Maio? Pessoalmente sempre me fez alguma confusão que o dia do trabalhador fosse passado a descansar mas mais confuso fico quando se considera este feriado como inabalável e se critique a abolição de outros. Podia ainda falar do 25 de Abril mas sei que o tema é demasiado sensível por ter ocorrido há tão poucos anos, pelo que será uma data aparentemente intocável. Existe ainda a discussão entre feriados nacionais e feriados universais. Mas mesmo aqui podemos colocar em causa a pertinencia em manter como pausas laborais os mesmos dias que os países sem dificuldades!!
A abolição de feriados fez renascer algumas clivagens sociais: Republicanos vs Monárquicos, Sindicatos vs Patrões, Grupos de interesse vs cidadãos comuns, Igreja católica vs cidadãos agnósticos. É verdade que as datas prevalecem para além da pausa laboral mas ou escolhemos em função de argumentos bem estruturados ou corremos o risco de estar a tomar decisões “ao calhas” e em função da vontade imposta por este ou aquele grupo de interesse!

2 comentários:

Anónimo disse...

O mais interessante desta situação toda é que este governo está a dar ouvidos moucos à pessoa que mais estudou este assunto o especialista em trabalho, Luís Bento, que defende que mais importante que abolir feriados é acabar com as tolerâncias de ponto e pontes ou encostar os feriados aos fins de semana, já que nos estudos que fez chegou à conclusão que as pontes custam ao país mais que o dobro dos feriados.
Miguel de Pompeia

brgracio disse...

Pessoalmente também me faz alguma confusão o 1º de Maio não ter sido sequer uma hipótese. É certo que é o dia do trabalhador, mas o dia do pai, o dia da mãe e o dia da criança também não são feriados (não deixando por isso de ser assinalados) e qualquer um desses "estados" não é menos importante do que ser trabalhador. Além disso, acho que devia ter sido colocada a possibilidade de extinguir mais feriados religiosos do que civis. Em teoria somos um estado laico e existem em Portugal pessoas com várias fés distintas.

Mas também concordo com o Miguel, a "reforma" peca por escassa ao não encostar os feriados aos fins de semana, abolindo as pontes.