Normalmente os técnicos optam por
se especializar em determinadas áreas. Os economistas especializam-se em
comportamentos sociais ou em finanças, os advogados em códigos, os médicos em doenças…e
assim sucessivamente!
A própria sociedade tem exigido
especialistas e não generalistas!
Ao contrário da corrente que
defende a especialização, sempre optei por ser um generalista, procurando tocar
vários instrumentos (mesmo que com alguns erros…admito as minhas muitas imperfeições)
em detrimento de saber muito apenas de uma área! E a verdade é que tenho
aprendido e evoluído com a experiência de inúmeras extrapolações ou analogias que se podem
fazer em tantas ciências aparentemente tão distintas.
A agricultura e a politica são
bons exemplos:
Na agricultura, só posso ter boas
colheitas se tratar bem a terra, se esta tiver nutrientes adequados, se for
regada qb e se eu aguardar o timing correcto pelo desenvolvimento das espécies.
Na politica só terei resultados positivos se negociar correctamente os termos
das politicas, se me aliar aos países certos, se gerir as declarações, os
comentários, os adversários e os apoiantes. Mas mesmo que faça tudo isto, se o
fizer no timing errado, serei mal sucedido….tal e qual como a agricultura.
Da mesma forma, na agricultura,
quando tenho uma árvore de má qualidade, posso fazer várias coisas para obter
bons frutos. Posso cortá-la e plantar em seu lugar uma árvore nova, posso
podá-la e esperar que rebente com mais vigor ou posso ainda enxertá-la. Na
politica passa-se exactamente o mesmo!
Assim sendo, é de estranhar que,
na política, se opte quase sempre por começar do zero e que se ignorem medidas
menos radicais, menos intrusivas e mais eficientes!
Mesmo realidades muito distintas
são passíveis de serem comparáveis e ninguém se deve sentir superior a outro só
porque a sua actividade profissional tem aparentemente um estatuto social superior.
Um agricultor só arranca uma árvore não produtiva por um motivo muito forte e sempre com objectivo de ter
melhores frutos. Quando na politica se fizer o mesmo com as decisões dos
ministérios e direcções gerais cessantes, então eu direi que temos agricultores
na politica….o que será um claro elogio face à realidade vigente das últimas
décadas!
3 comentários:
Acho que referes uma coisa que traduz bem a política portuguesa dos últimos 30 anos. Enxertos. É o que tem vindo a ser feito. A árvore, já se viu que não dá frutos. E normalmente de 4 em 4 anos foi-se fazendo um enxerto novo. Ora com uma árvore da mesma família ora com uma parecida. Mas o político-agricultor não consegue fazer milagres com esta árvore chamada sistema político português. É uma árvore seca, minada por bichos e que dá frutos amargos.
Um agricultor se tiver uma árvore ruim durante 3 ou 4 anos, tem bom remédio: moto-serra com ela, arrancar o cepo, usar o cepo para queimar e daqui a uns tempos lavrar, estrumar e plantar lá outra coisa.
Acho que referes uma coisa que traduz bem a política portuguesa dos últimos 30 anos. Enxertos. É o que tem vindo a ser feito. A árvore, já se viu que não dá frutos. E normalmente de 4 em 4 anos foi-se fazendo um enxerto novo. Ora com uma árvore da mesma família ora com uma parecida. Mas o político-agricultor não consegue fazer milagres com esta árvore chamada sistema político português. É uma árvore seca, minada por bichos e que dá frutos amargos.
Um agricultor se tiver uma árvore ruim durante 3 ou 4 anos, tem bom remédio: moto-serra com ela, arrancar o cepo, usar o cepo para queimar e daqui a uns tempos lavrar, estrumar e plantar lá outra coisa.
Aproveito para citar as palavras de um artigo de ontem do Nuno Garoupa sobre o sistema partidário português:
" Mas há uma grande diferença entre Portugal e a Grécia (na verdade, entre Portugal e o resto do Sul da Europa). Tudo se desagrega menos o sistema partidário. Enquanto na Grécia (tal como na Itália ou em Espanha), os partidos políticos responsáveis pelo desastre sofrem cisões, separações, profundas divisões e uma erosão eleitoral importante, em Portugal tudo na mesma. O cartel continua a funcionar apesar de tudo; alterna-se entre PS e PSD como sempre e nem vislumbre de qualquer cisão. É o reflexo de um sistema partidário rígido, fechado, protegido pela legislação por ele mesmo criada, pelo financiamento turvo e opaco (para não dizer pior) dos partidos instalados, por uma justiça silenciada, por uma rede de interesses absolutamente devastadora, e um caciquismo digno do pior da cultura latina. Dizem os mexicanos aquela frase, "El que se mueve no sale en la foto." Nunca melhor dito. A foto pode ser uma desgraça mas aqui ninguém se mexe. Claro, sempre em nome da estabilidade e do regular funcionamento das instituições."
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