terça-feira, 23 de outubro de 2012

Neuroeconomia #3


O comportamento humano cede frequentemente a tentações, principalmente quando temos de tomar decisões sob pressão. Assim sendo, as melhores decisões não são as tomadas por impulso e em plena liberdade. Os limites e a ponderação orientam para melhores decisões.
Veja-se o exemplo da ingestão de comida pouco saudável. É mais provável que se coma uma pizza ou um hambúrguer numa sexta-feira à noite após uma semana intensa de trabalho, do que num domingo à noite após um fim-de-semana relaxante. Esta situação mostra a correlação existente entre a exaustão cognitiva e o consumo de comida pouco saudável.
Diariamente temos de tomar decisões como acordar cedo, não comer doces, ficar a trabalhar até mais tarde, ir ao ginásio depois do trabalho, entre as mais rotineiras e pessoais. A tomada de decisões sugere assim um aumento do stress diário. O exercício de funções cognitivas mais elaboradas, como a elaboração do raciocínio e a dedução lógica, aumenta o desejo instintivo pelo consumo de doces.
Quanto mais responsabilidade, mais pressão na tomada de decisões e daí a crescente necessidade de combater os níveis de stress e exaustão, através de actividades que não conduzam a um pensamento mas sim a uma reacção instintiva. É pois o instinto que muitas vezes conduz o ser humano a actos pouco racionais.
O agente económico é antes de mais um ser humano com características de ambivalência, ainda que inserido num ambiente sócio-cultural equilibrado e com regras a cumprir. Essa ambivalência é posta à prova em estados de elevado stress e exaustão, onde se cometem actos instintivos, irracionais e que se traduzem muitas vezes em mentiras, agressividade, depressão, apatia, ingestão de álcool, drogas, comida pouco saudável, em suma, maus comportamentos que derivam de más decisões.
A ideia do auto-controlo e de impor limites surge normalmente associada à tomada de boas decisões. No entanto, não se pode restringir em demasia o comportamento humano, sob pena de despoletar uma reacção adversa, em que mais uma vez a irracionalidade se torna o instinto natural de sobrevivência.
Hábitos saudáveis, equilíbrio entre trabalho e lazer, estímulos cognitivos e dormir bem ajudam o agente económico a tomar decisões racionais e a alcançar maior sucesso.

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